Especialista explica como a resistência insulínica, a inflamação e o desequilíbrio hormonal impactam neurotransmissores
No quadro Mulheres em Pauta, do programa Cidade em Pauta da Rádio Nordeste FM, a ginecologista Dra. Cláudia Rocha abordou um tema cada vez mais atual: a relação entre obesidade, funcionamento cerebral e o papel da suplementação na promoção da saúde mental.
A médica destacou a importância da prevenção das doenças mentais, especialmente após a campanha do Janeiro Branco, criada em 2014 para conscientizar sobre saúde emocional.
“O Brasil é um dos países que mais consome antidepressivos e medicamentos para controle da ansiedade. A gente precisa conduzir as nossas pacientes com uma visão integrada da saúde como um todo”, afirmou.
A médica reforçou que a obesidade é oficialmente considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde.
Segundo ela, os números são alarmantes: “60% dos adultos estão com sobrepeso, e um terço dessa população é obesa. E o dado mais preocupante: a obesidade é mais frequente em mulheres acima dos 40 anos.”
De acordo com Dra. Cláudia, a maior incidência no público feminino não está relacionada apenas ao sedentarismo, mas principalmente à queda dos hormônios femininos.
“Não é coincidência. Há uma deficiência hormonal importante nessa fase da vida, e isso exige acompanhamento especializado”, explicou.
A médica também destacou fatores que contribuem para a chamada “neuroinflamação”, processo inflamatório que afeta o cérebro.
Entre os principais fatores estão:
“O álcool é inflamatório. Mesmo aquele consumo que a pessoa considera social pode gerar impactos, dependendo da dose”, alertou.
Um dos pontos centrais da entrevista foi a explicação sobre a resistência insulínica.
“Se a glicose não entra na célula de forma adequada, o cérebro deixa de produzir neurotransmissores importantes como dopamina, serotonina e noradrenalina. A ausência dessas substâncias pode provocar ansiedade, estresse e, a longo prazo, até demência”, explicou.
Segundo ela, o problema gera um ciclo perigoso. A baixa produção de dopamina leva à busca por alimentos altamente palatáveis, ricos em açúcar, como forma de compensação emocional.
“A pessoa come buscando prazer. Como não produz dopamina suficiente, ela quer cada vez mais. Depois vem a culpa, a ansiedade e a sensação de incapacidade. É um ciclo vicioso.”
Outro fator importante é o excesso de cortisol — hormônio do estresse.
“O estresse aumenta o cortisol, e o cortisol em excesso provoca acúmulo de gordura principalmente na região abdominal, elevando risco de infarto, AVC e gordura no fígado”, destacou.
Para pacientes com sobrepeso ou obesidade, a médica recomenda uma investigação laboratorial detalhada, incluindo:
Esses exames ajudam a identificar desequilíbrios bioquímicos que afetam tanto o corpo quanto o cérebro.
Dra. Cláudia também mencionou o uso dos análogos de GLP-1 como uma revolução no tratamento da obesidade.
“É uma substância fantástica, com ação anti-inflamatória importante. O problema é o uso inadequado, sem orientação médica”, pontuou.
A médica ressaltou que o avanço da idade reduz a qualidade e o tempo do sono, especialmente nas mulheres.
“O cérebro da mulher é mais sensível às variações hormonais. Uma menopausa desassistida provoca grande desajuste emocional e físico.”
Apesar dos desafios, ela reforça que há tratamento e acompanhamento adequados.
“Mulheres assistidas e cuidadas conseguem atravessar essa fase com qualidade de vida e equilíbrio”, concluiu.
Atendimento
A Dra. Cláudia atende na clínica Vitalis Ginecologia, Edifício Premier Feira - Av. Getúlio Vargas, 2525, salas 703 e 706.
“Informação é prevenção. Muitas mulheres não sabem que o ganho de peso tem fundo hormonal e inflamatório. É preciso buscar orientação especializada”, finalizou.