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Obesidade afeta o cérebro e aumenta risco de ansiedade e demência, alerta ginecologista

Especialista explica como a resistência insulínica, a inflamação e o desequilíbrio hormonal impactam neurotransmissores

Por Rafa
sábado, 14 de fevereiro de 2026
Imagem de Obesidade afeta o cérebro e aumenta risco de ansiedade e demência, alerta ginecologista

No quadro Mulheres em Pauta, do programa Cidade em Pauta da Rádio Nordeste FM, a ginecologista Dra. Cláudia Rocha abordou um tema cada vez mais atual: a relação entre obesidade, funcionamento cerebral e o papel da suplementação na promoção da saúde mental.

A médica destacou a importância da prevenção das doenças mentais, especialmente após a campanha do Janeiro Branco, criada em 2014 para conscientizar sobre saúde emocional.

“O Brasil é um dos países que mais consome antidepressivos e medicamentos para controle da ansiedade. A gente precisa conduzir as nossas pacientes com uma visão integrada da saúde como um todo”, afirmou.

A médica reforçou que a obesidade é oficialmente considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde.

Segundo ela, os números são alarmantes: “60% dos adultos estão com sobrepeso, e um terço dessa população é obesa. E o dado mais preocupante: a obesidade é mais frequente em mulheres acima dos 40 anos.”

De acordo com Dra. Cláudia, a maior incidência no público feminino não está relacionada apenas ao sedentarismo, mas principalmente à queda dos hormônios femininos.

“Não é coincidência. Há uma deficiência hormonal importante nessa fase da vida, e isso exige acompanhamento especializado”, explicou.

A médica também destacou fatores que contribuem para a chamada “neuroinflamação”, processo inflamatório que afeta o cérebro.

Entre os principais fatores estão:

  • Estresse crônico
  • Alimentação rica em açúcar e farináceos
  • Sedentarismo
  • Obesidade
  • Consumo frequente de álcool

“O álcool é inflamatório. Mesmo aquele consumo que a pessoa considera social pode gerar impactos, dependendo da dose”, alertou.

Um dos pontos centrais da entrevista foi a explicação sobre a resistência insulínica.

“Se a glicose não entra na célula de forma adequada, o cérebro deixa de produzir neurotransmissores importantes como dopamina, serotonina e noradrenalina. A ausência dessas substâncias pode provocar ansiedade, estresse e, a longo prazo, até demência”, explicou.

Segundo ela, o problema gera um ciclo perigoso. A baixa produção de dopamina leva à busca por alimentos altamente palatáveis, ricos em açúcar, como forma de compensação emocional.

“A pessoa come buscando prazer. Como não produz dopamina suficiente, ela quer cada vez mais. Depois vem a culpa, a ansiedade e a sensação de incapacidade. É um ciclo vicioso.”

Outro fator importante é o excesso de cortisol — hormônio do estresse.

“O estresse aumenta o cortisol, e o cortisol em excesso provoca acúmulo de gordura principalmente na região abdominal, elevando risco de infarto, AVC e gordura no fígado”, destacou.

Para pacientes com sobrepeso ou obesidade, a médica recomenda uma investigação laboratorial detalhada, incluindo:

  • Marcadores inflamatórios (inflamograma)
  • Vitamina D
  • Ferro e ferritina
  • Homocisteína
  • Fibrinogênio
  • Lipoproteína A
  • Zinco

Esses exames ajudam a identificar desequilíbrios bioquímicos que afetam tanto o corpo quanto o cérebro.

Dra. Cláudia também mencionou o uso dos análogos de GLP-1 como uma revolução no tratamento da obesidade.

“É uma substância fantástica, com ação anti-inflamatória importante. O problema é o uso inadequado, sem orientação médica”, pontuou.

A médica ressaltou que o avanço da idade reduz a qualidade e o tempo do sono, especialmente nas mulheres.

“O cérebro da mulher é mais sensível às variações hormonais. Uma menopausa desassistida provoca grande desajuste emocional e físico.”

Apesar dos desafios, ela reforça que há tratamento e acompanhamento adequados.

“Mulheres assistidas e cuidadas conseguem atravessar essa fase com qualidade de vida e equilíbrio”, concluiu.

Atendimento

A Dra. Cláudia atende na clínica Vitalis Ginecologia, Edifício Premier Feira - Av. Getúlio Vargas, 2525, salas 703 e 706.

“Informação é prevenção. Muitas mulheres não sabem que o ganho de peso tem fundo hormonal e inflamatório. É preciso buscar orientação especializada”, finalizou.

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