A médica explicou que o excesso de gordura corporal provoca alterações hormonais que podem favorecer o surgimento do câncer.
Durante entrevista ao Jornal do Meio Dia, a médica nutróloga Dra. Aline Jardim fez um alerta importante no contexto do Outubro Rosa: a obesidade é um dos principais fatores de risco para o câncer de mama, podendo duplicar as chances de desenvolvimento da doença.
“A obesidade aumenta em duas vezes a chance de desenvolver câncer de mama”, destacou a especialista. “Quando falamos em prevenção, não é apenas sobre realizar exames, mas em cuidar do corpo e da saúde desde cedo, tratando a obesidade como uma doença, e não como um fator estético.”
A médica explicou que o excesso de gordura corporal provoca alterações hormonais que podem favorecer o surgimento do câncer.
“O tecido adiposo tem uma grande afinidade com o hormônio estrona, que está relacionado ao aumento do risco. Após os 40 anos, com a menopausa, há uma redução do estradiol e aumento da estrona, o que eleva ainda mais o perigo para quem está acima do peso”, pontuou.
A Dra. Aline reforçou que atividade física regular e alimentação saudável são pilares fundamentais na prevenção.
“O exercício físico reduz em até 20% as chances de desenvolver câncer”, afirmou. “Muitas pessoas dizem que não gostam de se exercitar, mas é preciso entender que atividade física é um gesto de amor por si mesmo. Se não arrumar tempo para se cuidar, vai ter que arrumar tempo para tratar uma doença.”
Ela também destacou a importância dos exames de rotina, principalmente a mamografia anual.
“O SUS agora ampliou a faixa etária de 40 a 74 anos para realização gratuita do exame. Essa mudança foi necessária porque os casos estão surgindo em mulheres cada vez mais jovens e também em idades mais avançadas”, explicou.
A nutróloga chamou atenção para o consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas, que são classificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como carcinogênicos.
“Presunto, mortadela, salsicha, peito de peru, macarrão instantâneo e refrigerantes são exemplos de produtos que aumentam o risco de câncer. Muita gente tem medo da doença, mas continua consumindo alimentos que favorecem seu surgimento”, alertou.
Como alternativa, a médica orienta priorizar “comida de verdade”: “Devemos comer mais frutas, legumes, raízes, carnes e leguminosas, e evitar o que é industrializado. O ideal é descascar mais e desembalar menos.”
Além da obesidade, outros fatores de risco foram apontados pela especialista:
“No entanto, ter fator genético não significa desenvolver câncer. O estilo de vida ainda é o principal responsável por prevenir ou agravar a situação”, observou.
Encerrando a entrevista, a Dra. Aline deixou uma reflexão: “Cuidar da saúde é um ato de responsabilidade e amor próprio. Obesidade é doença e precisa ser tratada com acompanhamento médico. E a atividade física deve ser vista como parte do tratamento preventivo, não como castigo.”
A médica pode ser acompanhada nas redes sociais pelo perfil @draalinejardim e também no @institutodaplasticafeira, onde compartilha informações sobre saúde e qualidade de vida.