A terapia hiperbárica atua diretamente no processo de cicatrização e regeneração tecidual
Com a chegada do verão e o aumento da exposição solar, especialistas reforçam o alerta sobre os cuidados com a pele e a prevenção do câncer de pele. Em entrevista ao quadro Saúde em Pauta, dentro do Cidade em Pauta, a nutróloga Dra. Aline Jardim e a dermatologista e hiperbarista Dra. Rebeka Galvão destacaram o papel da oxigenoterapia hiperbárica como tratamento complementar, especialmente em pacientes que passaram por cirurgias mais extensas ou radioterapia, além de reforçarem medidas essenciais de fotoproteção.
Segundo a Dra. Rebeka, a oxigenoterapia hiperbárica é amplamente utilizada em pacientes pós-cirúrgicos, principalmente quando o câncer de pele foi diagnosticado tardiamente.
“A prevenção é clichê, mas é sempre o melhor remédio. Quando a lesão é pequena, a cirurgia é menor. Quando se posterga, muitas vezes são necessárias cirurgias maiores, com retalhos, enxertos e maior risco estético”, explicou.
Ela ressaltou que a terapia hiperbárica atua diretamente no processo de cicatrização e regeneração tecidual, sendo fundamental em áreas de alto risco, como rosto, couro cabeludo e orelhas.
“Essas regiões são muito expostas ao sol e qualquer cirurgia pode gerar impacto estético importante. A oxigenoterapia entra justamente para auxiliar na cicatrização, prevenir infecções e melhorar a regeneração dos tecidos”, afirmou.
A dermatologista também destacou os benefícios do tratamento em pacientes que passaram por radioterapia.
“O tecido irradiado sofre danos, fica mais fino e com menos irrigação. A oxigenoterapia hiperbárica melhora a oxigenação, estimula a formação de novos vasos sanguíneos e reduz o risco de deiscência de sutura, quando os pontos se abrem no pós-operatório”, completou.
Dra. Rebeka reforçou que alguns fatores aumentam o risco de câncer de pele, como predisposição genética, fototipo claro, cabelos e olhos claros, histórico familiar e exposição solar excessiva sem proteção ao longo da vida.
“O dano solar é cumulativo. Muitas das lesões que aparecem na vida adulta são resultado da exposição inadequada ao sol na infância e juventude”, alertou.
A prevenção, segundo a especialista, passa principalmente pelo uso correto do protetor solar.
“Deve ser usado em qualquer época do ano, aplicado 30 minutos antes da exposição e reaplicado a cada duas horas. Além disso, é fundamental abusar da proteção mecânica, como chapéus, óculos escuros, camisas UV, especialmente nas crianças”, destacou.
Ela também fez um alerta sobre os bronzeamentos artificiais. “A Sociedade Brasileira de Dermatologia é totalmente contra. Essas lâmpadas aumentam muito o risco de câncer de pele, envelhecimento precoce, manchas e rugas. Na minha opinião, isso nem deveria existir”, afirmou.
As especialistas chamaram atenção especial para os cuidados com as crianças durante o verão.
“Queimaduras solares na infância, principalmente de primeiro e segundo grau, aumentam muito o risco de câncer de pele no futuro”, explicou a dermatologista. A orientação é aplicar protetor solar no corpo todo, reaplicar com frequência e, sempre que possível, usar roupas com proteção UV.
“Uma dica prática é passar o protetor em creme antes de vestir a roupa e depois reaplicar com spray ou bastão, que facilita no dia a dia”, orientou.
A oxigenoterapia hiperbárica também pode ser utilizada como tratamento em queimaduras solares, especialmente as de segundo grau.
“Ela acelera a cicatrização, melhora a oxigenação dos tecidos e reduz complicações”, explicou a Dra. Rebeka.
Após a exposição solar, a recomendação é evitar banhos quentes. “O ideal é banho morno para frio, usar sabonetes glicerinados, hidratar bem a pele e manter uma boa ingestão de água”, orientou a especialista.
A nutróloga Dra. Aline Jardim complementou destacando a importância da nutrição para a saúde da pele. “Precisamos nutrir a pele de dentro para fora, com hidratação adequada e alimentação equilibrada, sem esquecer das barreiras físicas e mecânicas de proteção”, disse.
Dra. Rebeka reforçou a importância do Dezembro Laranja, campanha de prevenção ao câncer de pele. “Não deixe uma lesãozinha passar despercebida. Faça o autoexame, procure um dermatologista pelo menos uma vez ao ano. Em mais de 90% dos casos, o câncer de pele é curável quando diagnosticado precocemente”, destacou.
Além da prevenção, a oxigenoterapia hiperbárica é uma grande aliada no tratamento. “Quando necessário, conseguimos melhorar os resultados cirúrgicos e prevenir complicações no pós-operatório”, concluiu.