11/08/2026
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Pai presente, filho preparado: roda de conversa destaca a importância do afeto e do exemplo na criação dos filhos

Empresário Geraldo Pires e advogado Anailton Góes participaram de conversa especial sobre paternidade e refletiram sobre os desafios de educar os filhos em meio à influência das redes sociais

Victória SilvaRedação: Victória Silva
domingo, 09 de agosto de 2026 às 15:10
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A paternidade vai muito além da herança material deixada para os filhos. Para o empresário e presidente do Centro das Indústrias de Feira de Santana (CIFS), Geraldo Pires, e o advogado Anailton Góes, o maior legado de um pai é construído diariamente por meio do exemplo, da presença, do diálogo e dos valores transmitidos dentro de casa.

O tema foi discutido em uma roda de conversa especial pelo Dia dos Pais, apresentada por Jorge Biancchi no programa De Olho na Cidade. Durante o encontro, os convidados compartilharam experiências pessoais e falaram sobre os desafios enfrentados pelos pais em uma sociedade marcada pelo avanço das redes sociais e pelo excesso de informações disponíveis para crianças e adolescentes.

Ao iniciar o debate, Jorge Biancchi destacou a diferença entre herança e legado. Segundo ele, bens materiais podem ser rapidamente consumidos, enquanto os ensinamentos deixados pelos pais podem acompanhar os filhos durante toda a vida.

Anailton Góes, que tem 44 anos e é pai de um menino de 12 anos, contou que vive atualmente uma fase de transição na criação do filho, entre a infância e a adolescência. Para ele, o foco deixa de ser apenas a proteção física e passa a envolver, cada vez mais, a formação do caráter.

“Hoje é mais aquela fase de orientação. A gente começa a ver a questão da formação, de caráter. São esses ensinamentos que vieram de meu pai e que eu estou tentando passar para o meu filho.”

O advogado também chamou atenção para a disputa pela atenção dos filhos em uma realidade cada vez mais conectada. Segundo ele, os pais precisam encontrar formas de se aproximar dos filhos e acompanhar o conteúdo que eles consomem na internet.

“Hoje a gente vive numa sociedade voltada para as redes sociais e as crianças andam todas antenadas, todas on-line. Então, de certa forma, você acaba disputando a atenção dessas mídias com o seu filho.”

Redes sociais e a influência sobre crianças e adolescentes

A influência das redes sociais foi um dos principais pontos da conversa. Os participantes alertaram para o risco de crianças e adolescentes tomarem como referência pessoas que apresentam, na internet, uma realidade muitas vezes distante da vida cotidiana.

Geraldo Pires, que tem filhos de 40, 37 e 22 anos e já é avô, lembrou que, embora os tempos tenham mudado, valores como respeito, honestidade e responsabilidade continuam sendo fundamentais.

Ele contou que recebeu esses ensinamentos dos próprios pais e procura transmiti-los às novas gerações.

“Meu pai me deixou um exemplo muito grande de honestidade, de respeitar as pessoas, de ser prestativo. Então eu cresci com esses valores, tanto ele como minha mãe. Eu tento passar isso para meus filhos.”

Para Geraldo, o excesso de informações disponíveis atualmente exige ainda mais atenção dos pais. Na avaliação dele, crianças e adolescentes podem acabar comparando suas próprias vidas com aquilo que é mostrado por influenciadores digitais.

Anailton também reforçou a necessidade de orientar os filhos sobre o que existe por trás das imagens publicadas nas redes.

“Pouco você fazer um filtro aí, vai dar o quê? Mais de 95% para o mal. Quer transparecer uma vida assim vazia, no ponto de vista da questão. Como o Geraldo falou: porque tem um carro bonito, está numa mansão, aquela pessoa é feliz. E, às vezes, não é isso.”

Segundo os participantes, a ideia de sucesso apresentada nas redes pode criar expectativas irreais em crianças e jovens, que passam a acreditar que dinheiro, carros, roupas ou uma vida aparentemente luxuosa são sinônimos de felicidade.

Afeto, diálogo e a importância da presença

Outro aspecto abordado na roda de conversa foi a demonstração de carinho entre pais e filhos. Geraldo destacou que gestos simples, como abraçar, beijar e pedir a bênção, continuam tendo grande importância, mesmo quando os filhos chegam à adolescência e começam a demonstrar vergonha diante dos colegas.

“A gente beijar o filho, e o filho beijar o pai também. Muitas vezes eles vão crescendo e vão ficando com vergonha. E a gente não pode deixar isso perder, esse carinho, esse afeto.”

Anailton contou que já percebe essa mudança no comportamento do próprio filho, que está entrando na adolescência.

“Vou deixar ele na escola e, quando estou na fila dos coleguinhas, ele já fica para dar o beijo no pai. Dá o abraço, mas dá aquele beijo todo tímido. Se vai falar, tem que ser dentro do carro ainda, porque se for na frente dos colegas fica tímido.”

Geraldo também resgatou uma tradição que considera importante: o pedido da bênção aos pais. Ele contou que mantém o costume de pedir a bênção à própria mãe, que está com 94 anos.

“Eu dou a bênção à minha mãe até hoje. Aquele gesto de você pedir a bênção dá uma sensação de proteção. Você está pedindo a Deus que abençoe.”

O maior legado é ser presente

Os convidados foram convidados a deixar uma mensagem para os pais que estão começando a caminhada da paternidade.

Geraldo destacou que, mesmo diante de uma rotina profissional intensa, é fundamental reservar tempo para os filhos e criar momentos de convivência.

“A gente tem que estar dando atenção. Chamando para jogar bola. Você mostrando que é parceiro dele, esperando que ele, em qualquer problema que tenha, seja lá o que for, conte para seu pai, para sua mãe.”

Para o empresário, a relação entre pai e filho precisa ser construída também a partir da amizade e da confiança.

“É você procurar ser companheiro do filho. Pai, companheiro e amigo.”

Anailton, por sua vez, ressaltou que a presença pode ser mais importante do que a própria condição financeira oferecida aos filhos. Para ele, estar próximo permite que os pais preparem os filhos para tomar decisões mesmo quando não estiverem por perto.

“A presença é muito importante. Eu acredito que é até mais importante do que essa questão financeira.”

O advogado reforçou ainda que os filhos precisam receber referências capazes de ajudá-los a diferenciar o certo do errado.

“Se ele já estiver ciente, já estiver incutido nele aquela situação de saber o que é certo e o que é errado, ele vai poder tomar boas decisões.”

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