Ataques a embarcações e restrições em rota estratégica elevam o preço do barril e aumentam o temor de impactos no abastecimento global de combustíveis.
O mercado internacional de petróleo voltou a registrar forte alta nesta quinta-feira (23), impulsionado pelo agravamento das tensões no Mar Vermelho. O barril do tipo Brent avançou cerca de 6% e passou a ser negociado acima dos US$ 101, refletindo as preocupações dos investidores com possíveis interrupções no fluxo mundial de combustíveis.
A valorização ocorreu após novos ataques promovidos pelos houthis, no Iêmen, contra embarcações ligadas à Arábia Saudita. A situação foi agravada pelo bloqueio da navegação para navios sauditas no Estreito de Bab el-Mandeb, corredor marítimo considerado estratégico por conectar o Mar Vermelho ao Oceano Índico.
A oferta global de petróleo já vinha pressionada nos últimos meses em razão da instabilidade no Oriente Médio. Desde fevereiro, conflitos envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã reduziram a disponibilidade da commodity no mercado. Embora um memorando de entendimento entre Washington e Teerã tenha provocado uma queda temporária nos preços no mês passado, o Brent voltou a subir e já acumula valorização de aproximadamente 42% desde então.
Segundo a diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Ticiana Álvares, o fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb compromete uma das principais alternativas utilizadas pela Arábia Saudita para exportar petróleo, especialmente diante das limitações já existentes no Estreito de Ormuz.
A especialista destaca que a interrupção dessa rota reduz a capacidade de escoamento da produção saudita, um dos maiores fornecedores mundiais de petróleo. O cenário pode afetar diretamente o abastecimento de países que dependem do produto, como os Estados Unidos, além de provocar reflexos no comércio entre Ásia e Europa, que utiliza o Mar Vermelho como uma das principais rotas de transporte.