Preso desde março por suspeita de fraudes financeiras, Daniel Vorcaro teve proposta de colaboração considerada insuficiente pela Polícia Federal, que apontou falta de informações inéditas.
O pedido de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi rejeitado pela Polícia Federal. Preso desde março sob suspeita de envolvimento em fraudes financeiras, Vorcaro teve a proposta de colaboração descartada após investigadores avaliarem que as informações apresentadas não acrescentaram elementos novos às investigações em curso.
Apesar da negativa da corporação, as tratativas para um possível acordo de colaboração permanecem em andamento junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), que demonstrou interesse em dar continuidade às negociações.
Entre os temas debatidos nas conversas estão a devolução estimada de cerca de R$ 50 bilhões, a possibilidade de prisão domiciliar durante o andamento do processo e o eventual alcance político das informações que poderiam ser reveladas.
Segundo apurações divulgadas pela CNN, investigadores apontam possíveis desdobramentos envolvendo integrantes do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal também teria considerado omissões relacionadas ao senador Ciro Nogueira e ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro como fatores que influenciaram a avaliação negativa da proposta.
Ainda conforme as investigações, Ciro Nogueira teria participado de discussões ligadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), envolvendo integrantes do Banco Master. Já no caso de Flávio Bolsonaro, mensagens e documentos divulgados pelo Intercept Brasil apontam uma negociação de R$ 134 milhões para financiamento do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, com parte dos valores já tendo sido transferida.
A Polícia Federal também afirmou que Daniel Vorcaro não apresentou essas informações durante as negociações para a colaboração premiada.