Delegada da DEAM afirma que investigado planejou o crime, fugiu logo após a denúncia e foi localizado escondido em imóvel abandonado em Simões Filho após trabalho de inteligência da Polícia Civil.
O homem investigado por praticar importunação sexual contra uma moradora dentro da academia de um condomínio residencial no bairro SIM, em Feira de Santana, foi preso preventivamente na última sexta-feira (24), em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (27), a Polícia Civil detalhou as investigações e afirmou que o suspeito teria planejado a ação, fugido logo após o crime e permanecido escondido para evitar a aplicação da lei.
O caso ganhou repercussão nacional após imagens registradas acidentalmente pelo celular da própria vítima mostrarem o momento em que o homem pratica atos libidinosos enquanto ela realizava exercícios físicos. Segundo a delegada titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) de Feira de Santana, Lorena Almeida, a investigação foi reforçada por imagens do circuito interno do condomínio.
"As imagens demonstraram que ele visualiza a vítima treinando, passa a observá-la e, antes de praticar o ato, vira as câmeras internas da academia para a parede. Isso evidencia que houve um planejamento da ação", afirmou.

De acordo com a delegada, enquanto o investigado acreditava ter retirado qualquer possibilidade de registro pelas câmeras do condomínio, a vítima posicionava o celular para gravar o próprio treino utilizando a câmera traseira do aparelho.
"Ele não percebeu que estava sendo filmado. Praticou o ato olhando fixamente para a vítima. Foi justamente essa gravação que revelou o crime", explicou.
Ainda segundo a Polícia Civil, após a vítima perceber as imagens e procurar ajuda na portaria do condomínio, o suspeito notou a movimentação e deixou o local correndo.
"Foi por esse motivo que ele não foi preso em flagrante. Quando a vítima buscou socorro, ele percebeu e fugiu imediatamente", disse Dra. Lorena.
A vítima foi encaminhada ainda no mesmo dia à DEAM, onde recebeu acolhimento especializado e solicitou medida protetiva. Paralelamente, equipes iniciaram diligências para localizar o investigado, mas ele já não era encontrado em sua residência.
Durante a coletiva, a delegada esclareceu que a prisão preventiva não foi decretada apenas pelos indícios do crime, mas principalmente porque o investigado passou a se esconder, inviabilizando sua localização.
"Nossa legislação é muito clara. Uma pessoa só pode ser presa em flagrante ou por ordem judicial fundamentada. O motivo da prisão preventiva foi a fuga e o fato de não existir qualquer informação sobre o paradeiro dele", explicou.
Segundo ela, caso o suspeito tivesse se apresentado espontaneamente à Justiça, a prisão preventiva provavelmente não teria sido decretada.
"Se ele tivesse se apresentado, muito provavelmente esse mandado seria revogado, porque deixariam de existir os requisitos da prisão preventiva. O que motivou a medida cautelar foi justamente a fuga."
Mesmo após a expedição do mandado judicial, o investigado permaneceu foragido. A Polícia Civil informou que familiares alegavam desconhecer seu paradeiro, enquanto equipes da DEAM, do Grupo de Apoio Tático Itinerante (GATTI Sertão) e do Núcleo de Inteligência da 1ª Coorpin continuaram realizando monitoramentos e cruzamento de informações.
Segundo Dra. Lorena, desde os primeiros dias já havia indícios de que ele estivesse em Simões Filho, mas a localização exata só foi obtida após intenso trabalho de inteligência.
"Tivemos uma atividade de inteligência brilhante, cruzando dados e levantando informações até conseguirmos identificar exatamente onde ele estava escondido."
O homem foi encontrado em um imóvel em obras, aparentemente abandonado, onde havia uma estrutura montada para mantê-lo oculto.
"Havia colchão, travesseiro, cobertas, itens de higiene, alimentação sendo entregue, mochilas e malas. Ficou claro que ele não tinha nenhuma intenção de se apresentar à Justiça."
A Polícia Civil informou ainda que, ao perceber a chegada das equipes, o investigado tentou escapar mais uma vez.
"Ele tentou fugir novamente no momento da abordagem e não colaborou com a prisão", relatou a delegada.
Após ser contido, o suspeito foi conduzido para a formalização do cumprimento do mandado de prisão preventiva. Durante o interrogatório, optou por permanecer em silêncio e não prestou esclarecimentos sobre o crime.
"Ele não falou absolutamente nada sobre o fato, sobre a motivação ou por que praticou aquele ato."
Durante a coletiva, Dra. Lorena também alertou que pessoas que eventualmente tenham ajudado o investigado a permanecer escondido podem responder pelo crime de favorecimento pessoal, previsto na legislação penal.
"A mãe não responde criminalmente por auxiliar um filho nessa situação, mas outras pessoas, caso fique comprovado que ajudaram alguém com mandado de prisão a fugir ou se esconder, podem responder criminalmente."
A delegada reforçou que esconder um foragido, além de configurar crime em determinadas circunstâncias, também coloca outras pessoas em risco.
"Nunca é o caminho correto obstruir a Justiça. Quem auxilia um foragido pode acabar respondendo criminalmente e ainda expõe pessoas do seu convívio à presença de alguém procurado pela Justiça."
Após a prisão, o investigado foi colocado à disposição do Poder Judiciário e deverá passar por audiência de custódia. A decisão sobre a manutenção ou revogação da prisão preventiva caberá exclusivamente à Justiça.
"O juiz fará a análise dos requisitos da prisão preventiva e decidirá se ele permanece preso ou não", concluiu a delegada.
O crime ocorreu no último domingo (19), na academia de um condomínio residencial localizado no bairro SIM, em Feira de Santana. A vítima realizava exercícios físicos quando o suspeito praticou atos libidinosos enquanto a observava.
As imagens foram registradas inadvertidamente pelo celular da própria moradora, que gravava seu treino. Ao revisar o vídeo, ela percebeu o crime, acionou a Polícia Militar e registrou ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher.
As investigações também identificaram, por meio das câmeras do condomínio, que o suspeito teria desviado o posicionamento das câmeras de segurança da academia antes da prática do crime, em uma tentativa de evitar o registro da ação.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para apurar a possível existência de outras vítimas e esclarecer todos os desdobramentos do caso.