Pré-candidato ao governo pelo PSOL afirma que combate à evasão escolar depende também de políticas de emprego e renda para as famílias
A valorização dos professores e uma mudança na metodologia de avaliação dos estudantes estão entre as prioridades defendidas por Ronaldo Mansur, pré-candidato ao Governo da Bahia pelo PSOL. Durante entrevista ao Jornal do Meio Dia, da Rádio Princesa FM, o político afirmou que a educação pública precisa ir além da construção e modernização das escolas.
Para Mansur, o investimento em infraestrutura é importante, mas não suficiente para melhorar os índices educacionais. Ele defendeu o pagamento do piso salarial dos professores e a garantia de tempo para o planejamento das aulas.
“Não adianta apenas investir na parte física da escola, em boas escolas. Tem que investir no profissional, é a valorização, é o pagamento do piso”, afirmou.
O pré-candidato também defendeu que as escolas tenham uma atuação mais integrada às comunidades, com a oferta de atividades culturais, esportivas e de lazer.
“A gente tem que invadir as comunidades levando as escolas também para as comunidades, levando arte, levando cultura, levando esporte”, disse.
Na avaliação dele, o acesso a essas atividades também pode contribuir para a redução da criminalidade e ampliar as oportunidades para crianças e adolescentes.
Ronaldo Mansur criticou o que classificou como aprovação automática de estudantes que não atingiram o desempenho necessário. O pré-candidato afirmou ser contrário à utilização da aprovação como forma de melhorar indicadores educacionais.
“A gente é contra a aprovação automática. A gente tem que mudar a metodologia educacional no Estado”, declarou.
Segundo Mansur, estudantes da rede pública podem enfrentar dificuldades ao disputar vagas em universidades, concursos e oportunidades no mercado de trabalho com alunos de escolas particulares.
Ao falar sobre a evasão no ensino médio, o pré-candidato afirmou que a escola precisa ser um ambiente no qual o estudante se sinta acolhido. No entanto, ele também apontou a falta de emprego e renda para as famílias como um dos fatores que levam jovens a abandonar os estudos.
Mansur relatou a própria experiência. Segundo ele, aos 14 anos, precisou estudar no período noturno porque trabalhava durante o dia.
“Não por opção, porque se eu tivesse opção, eu estava estudando, curtindo a juventude. Mas, infelizmente, quando a família não tem a oportunidade do mercado de trabalho, os seus filhos acabam abandonando as escolas para irem para o mercado informal”, afirmou.
Para o pré-candidato, o enfrentamento da evasão escolar exige políticas que permitam aos pais ter acesso ao mercado de trabalho e garantam melhores condições para que os filhos permaneçam na escola.