Eremita Mota afirmou que respeitará processo judicial
Por decisão do juiz Nunisvaldo dos Santos, da 2ª Vara da Fazenda Pública, a presidente da Câmara de Feira de Santana, vereadora Eremita Mota, foi intimada a convocar sessão extraordinária para votar o projeto de lei enviado pelo Poder Executivo, que solicita autorização de empréstimo no valor de R$ 160 milhões.
Caso a medida de liminar não seja cumprida, a justiça bloqueará bens e recursos da gestora da Casa. Em entrevista ao De Olho na Cidade, a presidente da Câmara, enfatizou a importância do cumprimento da lei e da transparência nos processos legislativos. Segundo ela, se o prefeito tivesse cumprido com suas obrigações desde o início, evitaria a atual situação judicial.
"A primeira coisa que precisamos ter é a consciência de dever cumprido, a consciência de que tenho tratado todos esses processos com muito respeito e dentro da legalidade. Tudo isso, essas denúncias, essas liminares, não deveriam ter acontecido se o prefeito tivesse cumprido com sua obrigação, que era seguir a lei. Se ele tivesse cumprido desde o início, teria enviado o projeto. Talvez não apenas um pedido de empréstimo, talvez ele quisesse fazer até dez pedidos, mas teria especificado o destino do dinheiro. A população quer saber, afinal, são eles que vão pagar."
A presidente da Câmara destacou que a resistência em aprovar o projeto se deve ao fato de que a lei exige transparência quanto ao destino dos recursos. Ela comparou a situação atual com o caso do BRT.
"Essa lei foi votada por parlamentares, por vereadores. Se os próprios vereadores votaram a favor e aprovaram a lei, é porque existe essa resistência em aprovar projetos sem seguir os pré-requisitos estabelecidos. Em meus 20 anos na casa, já participei de votações de 5, 6 empréstimos tomados ao mesmo tempo, mas sempre seguindo os critérios estabelecidos pela lei. No entanto, se o prefeito não cumpre com sua parte, qualquer cidadão pode cobrar, mas se não houver transparência sobre o destino dos recursos, estamos dando um cheque em branco para o prefeito fazer o que quiser com o dinheiro, como aconteceu com o BRT."
Quanto ao andamento do processo judicial, Eremita Mota afirmou que acredita na justiça e está aguardando novas citações. Ela ressaltou que a Câmara está seguindo as diretrizes do Tribunal de Justiça da Bahia, que deu razão à instituição em decisão anterior.
"Estamos atualmente envolvidos em um processo judicial, no qual a justiça será responsável por tomar uma decisão. Acredito que até o final da tarde ou até esta noite, haverá uma nova citação da qual devo participar, já que não fui citada na última ocorrida ontem. Após essa citação, esperamos poder agendar a discussão do projeto para terça-feira, desde que a justiça não decida antes disso. Estamos aguardando ansiosamente por esse desfecho e respeitamos o processo judicial. Acredito firmemente que a justiça prevalecerá."
O vereador José Carneiro expressou sua preocupação com a atual situação da Câmara Municipal de Feira de Santana, afirmando que a instituição não está mais seguindo o regimento interno nem respeitando a Lei Orgânica, além de desconsiderar decisões judiciais.
"Eu já cansei de falar sobre isso. A Câmara Municipal não segue mais o Regimento Interno, não respeita a Lei Orgânica e agora não acata nem mesmo decisões judiciais. Se a presidente acha que pode desobedecer uma ordem judicial, rasgando o regimento interno e a lei orgânica, ela já o faz diariamente em Feira de Santana e se ela acredita que pode ignorar uma determinação judicial, quem pagará as consequências? Eu, pessoalmente, acredito que uma ordem judicial não se discute, apenas se cumpre, mas infelizmente a Câmara de Feira está agindo de maneira autoritária, algo que nunca vi em nenhum outro lugar do Brasil."
*Com informações do repórter Robson Nascimento