A mudança, segundo ele, segue uma tendência internacional e tem como principal objetivo reforçar a importância dos hábitos saudáveis
O cardiologista Dr. Edval Gomes foi o convidado do programa Cidade em Pauta para falar sobre a nova classificação da pressão arterial, que agora considera 12x8 como pré-hipertensão. A mudança, segundo ele, segue uma tendência internacional e tem como principal objetivo reforçar a importância dos hábitos saudáveis na prevenção de doenças cardiovasculares.
“Essa nova diretriz é baseada em estudos internacionais. Sociedades europeias e americanas já vinham adotando valores semelhantes. O Brasil apenas atualizou sua classificação para alinhar-se a essa tendência”, explicou o médico.
Dr. Edval lembrou que o conceito de pré-hipertensão não é novo, mas foi ampliado.
“A Sociedade Brasileira de Cardiologia já trabalhava com esse conceito há mais de cinco anos. O que aconteceu agora foi uma ampliação: antes, a faixa ia de 13 até 14, e agora foi incluído o 12x8. Isso foi feito para simplificar a classificação e facilitar a comunicação com a população”, detalhou.
Segundo o cardiologista, a mudança não deve causar pânico, mas sim estimular o cuidado preventivo.
“O objetivo principal é incentivar hábitos de vida saudáveis. Às vezes, as pessoas pensam que cuidar da saúde é só fazer exame ou tomar remédio, mas o mais importante é se exercitar, alimentar-se bem e cuidar da mente. Essa classificação vem para reforçar isso”, afirmou.
O médico deu exemplos de como pequenas mudanças na rotina podem ter grande impacto.
“Nem todo mundo tem tempo para academia, mas dá para adaptar. Desça do ônibus dois pontos antes, volte caminhando do trabalho, suba escadas em vez de usar o elevador. Uma caminhada de 30 minutos por dia já ajuda muito”, aconselhou.
Ele também destacou que a redução da pressão, mesmo em poucos milímetros, já traz benefícios significativos.
“Para cada 5 mmHg que você reduz na pressão, diminui 10% o risco de eventos cardiovasculares. Ou seja, pequenas melhorias fazem uma grande diferença”, explicou.
Dr. Edval reforçou que a alimentação é fator decisivo para o controle da pressão arterial.
“Os maiores vilões são os alimentos processados, embutidos, enlatados e com excesso de sal. O sal é um problema direto, mas o aumento de peso também eleva a pressão. Por isso, carboidratos e frituras em excesso devem ser evitados”, alertou.
Sobre o uso de medicamentos, o médico esclareceu que quem tem pressão naturalmente em 12x8 não precisa de medicação, mas deve manter bons hábitos.
“Se a pressão é naturalmente 12x8, está de parabéns. Mantenha exercício, boa alimentação e controle de peso para continuar assim”, disse.
O cardiologista também abordou a relação entre envelhecimento e doenças cardíacas.
“As doenças cardiovasculares acompanham o envelhecimento. Quando vivíamos menos, morríamos de doenças infecciosas. Agora, com maior expectativa de vida, surgem as doenças degenerativas. Aos 60 anos, 60% das pessoas são hipertensas — o dobro do que se vê aos 30”, explicou.
Para Dr. Edval, a nova classificação deve ser vista como um estímulo para políticas públicas de prevenção.
“Essa mudança ajuda a colocar o tema em discussão. Precisamos de mais programas que incentivem a prática de atividades físicas, boas praças, espaços seguros para caminhadas. A prevenção primária é o caminho”, afirmou.
O médico destacou a importância do uso correto da medicação para hipertensos e do acompanhamento médico regular.
“A hipertensão é uma doença crônica, sem cura, mas com controle. O erro é parar o remédio porque está se sentindo bem. O tratamento evita sofrimento, AVC e infarto. Quem já é hipertenso deve tomar o medicamento todos os dias e manter acompanhamento com o médico”, concluiu.