Iniciativa da UFRB que incentiva meninas na ciência será apresentada em conferências na Itália e na Inglaterra, ampliando parcerias internacionais e o alcance do projeto baiano
A professora e pesquisadora Carine Alves, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, irá representar o Brasil em duas importantes conferências internacionais no mês de maio, levando os resultados do projeto Biofemme, iniciativa que incentiva a participação feminina na ciência por meio de pesquisas em biocombustíveis.
Entre os dias 10 e 16 de maio, a docente participará de eventos na Itália e na Inglaterra, ampliando a visibilidade do projeto e buscando novas parcerias acadêmicas.
“Eu estarei participando também entre os dias dez e dezesseis de maio deste ano em duas conferências internacionais. A primeira vai ser em Palermo, na Itália, na Industrial Biotechnology International Conference, onde eu apresentarei dois projetos”, destacou.
Na conferência na Itália, Carine irá apresentar dois trabalhos desenvolvidos dentro do projeto, com foco em soluções sustentáveis a partir de biomassa.
“Na Itália vou apresentar dois projetos, um de biogás e um de biodiesel a partir de biomassas”, explicou.
Os estudos apresentados são: “Avocado-Based Biodiesel as a Tool for Sustainable Energy and Gender Equity in Science”, desenvolvido por bolsistas do Biofemme do CETEP de Araci; e “Biomethane Potential of School Food Residues in a Gender-Inclusive Research Initiative”, projeto desenvolvido por bolsistas do Biofemme da Escola Estadual Teotônio Vilela, em Feira de Santana.
Além da participação na Itália, a pesquisadora também estará na cidade de Birmingham, na Inglaterra, a convite da Aston University.
“Também estarei na Inglaterra apresentando de forma geral o projeto Biofemme, a convite da Universidade de Aston”, afirmou.
Segundo ela, a agenda internacional abre portas para novas conexões acadêmicas e cooperações.
“A gente tem possibilidade de realizar grandes parcerias com a inclusão de meninas e mulheres na ciência, porque eles estão muito interessados nesse assunto também”, completou.
O Biofemme é um grupo de pesquisa consolidado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e tem como foco principal aproximar meninas do ensino fundamental e médio do universo científico, especialmente nas áreas de energias renováveis.
“Sou coordenadora do projeto Biofemme, que visa a transformação da realidade de meninas de ensino médio e também do ensino fundamental de várias cidades da Bahia”, explicou Carine.

Atualmente, o projeto atua em nove escolas públicas distribuídas em municípios como Feira de Santana, Araci, Amargosa, Teofilândia, Cansanção e Itabuna, envolvendo diretamente dezenas de estudantes.
“Hoje a gente atua em nove escolas públicas e contamos com mais de vinte e oito bolsistas de iniciação científica júnior atuando em projetos específicos dentro das escolas voltados para a produção de biocombustíveis”, afirmou.
Um dos diferenciais do Biofemme é o incentivo à pesquisa a partir da realidade das próprias estudantes, utilizando recursos disponíveis em suas regiões.
“As próprias estudantes pesquisam biomassas da sua região, como por exemplo resíduos agrícolas, e a partir disso estudam formas de gerar energia limpa, como biogás, bioetanol, biodiesel, biochar e outros”, destacou.
O projeto também promove oficinas, mentorias, visitas técnicas e atividades laboratoriais, sempre com acompanhamento de pesquisadoras, criando um ambiente de incentivo e formação científica contínua.
Além do desenvolvimento acadêmico, o Biofemme também atua no fortalecimento da autoestima e do protagonismo feminino.
“Com o apoio do CNPq, nós já conseguimos não só incentivar a formação científica, mas também fortalecer a autoestima e a presença feminina de forma efetiva na ciência”, ressaltou.
Para a coordenadora, o impacto vai além da sala de aula.
“O Biofemme mostra que essas meninas têm potencial e que a ciência também é, sim, um espaço para elas”, concluiu.

*Com informações do repórter JP Miranda