Iniciativa “Respira, Feira Verde”, criada por quatro jovens de 17 anos, já foi aprovada em primeira discussão e prevê ações ambientais, participação das escolas e compensação de carbono em grandes eventos
Uma iniciativa criada dentro da sala de aula por quatro estudantes de 17 anos do Colégio Estadual Santo Antônio ganhou espaço no Legislativo feirense. A proposta “Respira, Feira Verde”, criada pelos jovens Anthony Raymond, Talyta Bastos, Yago de Souza e Henrique Rios, todos de 17 anos, foi aprovada em primeira discussão na Câmara Municipal, após ser apresentada ao Legislativo pelo vereador professor Ivamberg Lima.
A iniciativa nasceu dentro do ambiente escolar, mas ganhou dimensão municipal ao propor medidas para ampliar a cobertura vegetal da cidade, incentivar a educação ambiental e promover a participação da comunidade em ações de arborização.
O estudante Anthony Raymond explicou que a ideia surgiu a partir de uma proposta pedagógica dos professores no Colégio Estadual Santo Antônio, onde os jovens estudam.
Segundo ele, a proposta inicial deveria atender uma necessidade da escola, mas o grupo percebeu que o problema observado tinha relação direta com toda a cidade.
“O projeto partiu da ideia dos professores, porque eles propuseram que a gente criasse algo para encaixar dentro do cenário da escola. Só que a nossa campanha, que envolve a arborização, tinha potencial de ampliar para toda a cidade”, afirmou.
Anthony contou ainda que a iniciativa nasceu após os estudantes identificarem uma desigualdade no uso da arborização em diferentes espaços urbanos.
“A ideia inicial partiu por conta de uma diferença que a gente identificou: como as árvores são utilizadas em ambientes turísticos e nas áreas urbanas comuns, que é o que se encaixa a Feira de Santana. A partir dessa premissa, decidimos criar um projeto de arborização”, explicou.
O estudante destacou ainda o apoio da escola no processo de amadurecimento da proposta, incluindo a apresentação do projeto à direção e posteriormente ao vereador Ivamberg Lima.
A estudante Talyta Bastos afirmou estar realizada ao ver um projeto criado pelos alunos chegar ao Poder Legislativo e ressaltou a importância da participação estudantil nos debates sobre a cidade.
“Estou realizando um sonho, extremamente realizada e orgulhosa dos meus colegas. Foi um processo muito bonito porque houve uma parceria da escola com o Legislativo”, disse.
Para ela, é fundamental que os jovens ocupem espaços institucionais para apresentar soluções aos problemas do município.
“É muito importante que os estudantes ocupem esses espaços para falar sobre os problemas da cidade, porque é o nosso espaço. Nós vivemos na cidade e temos que tentar resolver esses problemas”, declarou.
Outro integrante do grupo, Yago de Souza, destacou o empenho coletivo para transformar a ideia em uma proposta estruturada e apta a tramitar na Câmara Municipal.
Segundo ele, o projeto passou por ajustes técnicos e jurídicos antes de ser apresentado oficialmente.
“Foi um processo com muito trabalho dos meus colegas. A gente ficou até tarde da noite elaborando, modificando, passando pelo advogado do vereador Ivamberg, recriando para fazer a apresentação”, relatou.
Yago ressaltou que, apesar do longo processo, o resultado trouxe orgulho ao grupo.
“Foi um processo demorado, mas a gente tem muito orgulho disso e cada esforço valeu a pena”, acrescentou.
O vereador professor Ivamberg Lima, responsável por apresentar a proposta na Câmara, destacou o protagonismo dos estudantes e afirmou que a iniciativa demonstra como a escola pode contribuir diretamente para a formulação de políticas públicas.

“Isso é a prova viva de que, quando há uma reunião de pessoas na escola, com orientação de professores, pesquisas científicas e dados concretos, a gente tem que abraçar e fazer caminhar”, afirmou.
De acordo com o parlamentar, a equipe do gabinete atuou na adequação técnica do texto para o formato legislativo, mas a essência do projeto foi construída pelos estudantes.
“O objeto do projeto foi trazido por eles, que é a questão da falta de arborização da cidade. Eles fizeram pesquisas e trouxeram dados mostrando que Feira de Santana precisa ter quinze vezes mais plantio de árvore por habitante do que tem hoje”, disse.
Ivamberg também afirmou que a repercussão da proposta já influenciou ações do poder público.
“A Secretaria de Meio Ambiente já está colocando em prática um projeto nos mesmos moldes, inclusive utilizando o nome Feira Verde”, pontuou.
O vereador informou ainda que a segunda discussão do projeto deve ocorrer na próxima sessão legislativa, com a presença de estudantes e representantes da escola.
“A ideia é trazer toda a escola para mostrar que é possível pensar a cidade a partir da escola, trazendo benefícios para a saúde e para a sociedade”, destacou.
O Projeto de Lei institui a Política Municipal de Arborização Urbana “Respira, Feira Verde”, com ações voltadas para expansão, preservação e manejo sustentável da cobertura vegetal em Feira de Santana.
Entre os principais pontos da proposta estão:
O texto também prevê a obrigatoriedade de um Plano de Impacto para Neutralização de Carbono (PINC) para grandes eventos culturais, esportivos e empresariais realizados no município, exigindo medidas compensatórias, como plantio de árvores, para obtenção de alvará.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim
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