Segundo Jamille Sena, o vício em jogos não afeta apenas o jogador, mas desestrutura famílias inteiras.
Em entrevista ao programa Cidade em Pauta, da rádio Nordeste FM (95,3), a psicanalista Jamille Sena abordou o tema “Vícios em jogos de azar: entre a dopamina e a compulsão”, destacando os impactos emocionais e familiares provocados por esse tipo de dependência e anunciando o evento Psicologia em Pauta, que acontecerá neste sábado (18), no Hotel Ibis, em Feira de Santana.
Jamille explicou como o prazer gerado pelo jogo está diretamente ligado à produção de dopamina no cérebro, o chamado “hormônio do prazer”.
“A dopamina é justamente o hormônio que dá prazer, que traz felicidade. Quando o cérebro está cansado, ansioso, cheio de vozes e preocupações, o jogo oferece um alívio momentâneo. É nesse ponto que nasce a compulsão”, explicou.
Segundo a psicanalista, o vício em jogos não afeta apenas o jogador, mas desestrutura famílias inteiras.
“Não é só o sujeito que se destrói, as famílias também acabam se desestruturando. São brigas, dívidas e rupturas que muitas vezes só são percebidas quando o problema já está muito avançado”, alertou.
Jamille destacou ainda que, na maioria dos casos, pessoas com transtornos de ansiedade generalizada e histórico familiar de dependência estão mais propensas a desenvolver o vício.
“São pessoas que já vivem em um ritmo acelerado, ansiosas, e que podem ter no histórico familiar casos de vício em álcool ou drogas. O jogo surge como uma fuga do sofrimento e da sobrecarga emocional”, disse.
Ela chamou atenção também para o crescimento dos jogos online e apostas esportivas, que têm alcançado públicos cada vez mais jovens.
“Hoje vemos até crianças viciadas em jogos de celular que parecem inofensivos. Os pais, muitas vezes, dão o aparelho para distrair, mas o uso excessivo de telas pode criar um padrão de dependência desde cedo”, alertou Jamille.
Questionada sobre a relação entre o vício em jogos e outras dependências, como o álcool e as drogas, ela afirmou que há uma conexão direta.
“Quando o ser humano está destruído emocionalmente, busca algo que o tire da realidade. Tanto o álcool quanto as drogas agem no sistema frontal do cérebro, onde estão as regras e a moralidade. A pessoa perde o controle e acredita que pode tudo”, explicou.
Para Jamille, o vício em jogos deve ser tratado como uma doença, que exige acompanhamento profissional e compreensão da sociedade.
“As pessoas julgam o jogador compulsivo, chamam de preguiçoso, mas ele está em sofrimento. É uma condição patológica que precisa de tratamento e escuta qualificada”, destacou.
A psicanalista também aproveitou a entrevista para convidar o público a participar do evento Psicologia em Pauta, que será realizado neste sábado (18), das 8h às 18h, no Hotel Ibis, em Feira de Santana.
“O evento é voltado para estudantes, profissionais da área de saúde e familiares que convivem com alguém nessa situação. Será um dia inteiro de palestras e rodas de conversa para esclarecer e debater o tema”, informou.
As inscrições podem ser feitas pelo Instagram @seminariopsicologiaempauta ou pelo telefone (75) 98132-8009.
“O mais importante é entender que sempre há saída. O tratamento é possível, e a ajuda profissional faz toda a diferença”, concluiu Jamille Sena.