Especialista explica que o envolvimento com a Seleção vai além do futebol e desperta pertencimento, nostalgia e fortalecimento dos laços sociais
A cada quatro anos, a Copa do Mundo transforma a rotina de milhões de brasileiros. Reuniões entre familiares, amigos e colegas de trabalho, bandeiras nas ruas e a expectativa pelos jogos da Seleção fazem parte de um fenômeno que ultrapassa o esporte. De acordo com o estudo "Quem Torce Também Joga", da agência Apoema, 62% dos brasileiros pretendem acompanhar ou torcer pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, enquanto 71% acreditam na conquista do hexacampeonato.
Para a psicóloga Olívia Magalhães, essa mobilização coletiva está diretamente ligada à necessidade humana de pertencimento.
"A psicologia explica esse fenômeno por meio da necessidade humana de pertencimento. Nós somos seres sociais e buscamos fazer parte de grupos que nos ofereçam identidade e conexão. Durante a Copa, a Seleção Nacional funciona como um símbolo coletivo que une pessoas de diferentes idades, classes sociais e regiões. Torcer juntos fortalece o sentimento de fazer parte de algo maior do que nós mesmos", explicou.
Segundo a especialista, viver intensamente a Copa pode trazer benefícios importantes para a saúde emocional quando essa participação acontece de forma equilibrada.
"Essa vivência coletiva favorece a expressão das emoções, fortalece os vínculos sociais, reduz o sentimento de isolamento e pode gerar momentos de alegria e esperança. Compartilhar emoções intensas cria uma sensação de conexão muito benéfica para o bem-estar emocional e social."
Olívia destaca que o desejo de ver o Brasil conquistar o sexto título mundial também alimenta esse sentimento coletivo.
"Como brasileiros, todos queremos ver o hexa chegar. Torcer juntos é uma forma de compartilhar esse sonho e viver momentos de grandes alegrias."
Além da paixão pelo futebol, a psicóloga ressalta que a Copa desperta lembranças afetivas construídas ao longo da vida. Para muitas pessoas, o torneio remete à infância, à adolescência e aos momentos vividos em família.
"É comum vermos famílias e amigos se reunindo mais, compartilhando rituais, lembranças e expectativas. Cada um leva um prato, uma bebida e todos vivem aquele momento juntos. A nostalgia também tem um papel importante, porque muitas pessoas associam Copas anteriores a momentos marcantes da convivência familiar."
Na avaliação da especialista, essas experiências fortalecem comportamentos mais colaborativos e afetivos.
"No geral, isso faz com que a Copa tenha um significado emocional que vai muito além do esporte, influenciando comportamentos mais participativos, colaborativos e fortalecendo os relacionamentos."
Apesar dos benefícios, Olívia faz um alerta para que o envolvimento emocional com os jogos não ultrapasse os limites do lazer.
Segundo ela, quando a expectativa pelos resultados se torna excessiva, algumas pessoas podem apresentar reações desproporcionais, como irritabilidade, agressividade e conflitos nas relações pessoais.
"O ideal é que a torcida seja vivida como uma experiência de lazer e integração, sem que a identidade pessoal ou o bem-estar emocional dependam exclusivamente do resultado das partidas."
Para a psicóloga, manter esse equilíbrio permite que a Copa continue sendo um momento de celebração coletiva, fortalecendo vínculos e proporcionando experiências positivas para a saúde emocional dos brasileiros.