Publicitária e empresária fala sobre trajetória, desafios das mulheres no mercado e a importância do equilíbrio entre carreira e vida pessoal
Dentro da série especial Março Mulher 2026, do programa Jornal do Meio Dia, a publicitária e empresária Soraya Macêdo compartilhou sua trajetória de mais de 25 anos no varejo e na comunicação, além de reflexões sobre o papel feminino no mercado de trabalho.
À frente da agência Formato Ideias há mais de duas décadas, Soraya também atua como consultora, palestrante e produtora de conteúdo, destacando-se pela versatilidade profissional. Questionada sobre como mantém energia para tantas atividades, ela atribui à paixão pelo que faz.
“Essa energia vem do prazer de fazer o que eu gosto, da vontade de fazer diferente, de prestar um bom serviço e de ter um trabalho reconhecido”, afirmou. “O fato de ser mulher ajuda um bocado. A gente é multi e dá conta de tudo ao mesmo tempo.”
Soraya destacou que o varejo está diretamente ligado ao relacionamento com o cliente — uma característica que, segundo ela, dialoga com habilidades frequentemente desenvolvidas pelas mulheres.
“O varejo essencialmente se trata de relacionamento. Quando a gente fala de atendimento, estamos falando de ouvir, perceber e cuidar”, explicou. “Para ter sucesso, é preciso entender e atender as pessoas. E isso passa diretamente pela capacidade de se relacionar.”
A empresária relembrou que o interesse pelo comércio surgiu ainda na infância, ao acompanhar o negócio da família.
“Eu gostava de ir para o balcão, atender, organizar. Na época era uma brincadeira, mas já existia ali um tino para entender como uma empresa funciona”, contou.
Com o tempo, a afinidade se transformou em profissão. Soraya se formou em publicidade e fundou sua própria agência, onde encontrou espaço para unir gestão, comunicação e relacionamento com pessoas.
“É um laboratório onde a gente aprende todo santo dia. Liderar, atender e ajudar clientes a crescer são partes fundamentais do que eu faço”, disse.
Ao comentar as mudanças trazidas pelas redes sociais e pela inteligência artificial, Soraya ressaltou a necessidade de adaptação constante, mas fez um alerta sobre o uso consciente das ferramentas tecnológicas.
“A inteligência artificial é uma ferramenta para aprimorar o nosso trabalho, não para substituir o cérebro humano”, pontuou. “Quando você sabe fazer e usa a tecnologia a seu favor, você melhora a performance. Mas usar a ferramenta sem conhecimento pode comprometer o resultado.”
Soraya também abordou os desafios enfrentados pelas mulheres no ambiente profissional, especialmente no início da carreira.
“Já precisei provar mais competência por ser mulher, principalmente em ambientes mais masculinos. Mas isso nunca me paralisou, pelo contrário, me deu mais força para mostrar quem eu era”, relatou.
Apesar dos avanços, ela reconhece que ainda há desigualdades.
“Muitas vezes a mulher precisa falar mais, provar mais. Uma fala firme pode ser interpretada de forma diferente quando vem de uma mulher. Mas isso tem mudado, e a gente não volta mais atrás”, destacou.
Outro ponto abordado foi a sobrecarga feminina e a dificuldade de conciliar múltiplas responsabilidades.
“A gente vive num mundo extremamente urgente, onde tudo é para agora. Mas se não equilibrar os pratinhos, acaba cuidando de tudo e esquecendo de si”, afirmou.
Para ela, o equilíbrio é um aprendizado contínuo. “Nenhum CNPJ vale um AVC. A gente precisa cuidar da saúde mental, do corpo e das relações.”
Soraya deixou um recado para mulheres que desejam empreender ou crescer profissionalmente.
“Persistam. Estudem. O mundo está mudando o tempo inteiro e a gente precisa acompanhar. Mas também é importante viver, não só sobreviver”, concluiu. “Quando você equilibra o que te dá prazer com o trabalho, tudo vale a pena.”