06/06/2026
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Quando a vida para: violência contra a mulher exige atenção aos sinais e busca por ajuda, alerta psicóloga

Atendimentos no Centro de Referência Maria Quitéria crescem e reforçam importância da denúncia e da rede de apoio

Redação:
segunda-feira, 23 de março de 2026 às 23:50
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A violência contra a mulher continua sendo uma realidade preocupante em Feira de Santana, atingindo diferentes perfis sociais e exigindo cada vez mais atenção e mobilização da sociedade. Em entrevista na série especial Março Mulher do programa De Olho na Cidade, a psicóloga Juliana Vieira, do Centro de Referência Maria Quitéria, destacou dados recentes, formas de acolhimento e a importância de identificar os primeiros sinais de abuso.

Segundo a especialista, somente no mês de fevereiro foram registrados 345 atendimentos, sendo 70 novos casos, um número considerado significativo.

“Não é um número pequeno. A gente percebe que, com a mobilização social, as mulheres estão tendo mais iniciativa de buscar ajuda e isso é muito importante”, afirmou.

Juliana explicou que o Centro de Referência Maria Quitéria oferece um atendimento completo, voltado para acolher mulheres em situação de violência, muitas vezes em momentos de fragilidade emocional.

“Essa mulher chega fragilizada. A gente oferece apoio psicológico, social e jurídico. Existe uma equipe preparada para orientar, acolher e mostrar que ela não está sozinha”, destacou.

Entre os serviços, estão orientação sobre medidas protetivas, acompanhamento psicológico e suporte jurídico em casos como descumprimento de decisões judiciais, guarda de filhos e divisão de bens.

A psicóloga também chamou atenção para o fato de que a violência doméstica não está restrita a um grupo específico.

“A violência não tem classe social. Pode acontecer com qualquer mulher, seja rica ou pobre. Por isso, é importante não sentir vergonha e buscar ajuda”, pontuou.

Casos recentes de grande repercussão, inclusive envolvendo agentes públicos, reforçam a gravidade do problema e mostram como ele pode atingir diferentes realidades.

Entre os principais obstáculos para romper o ciclo da violência estão o medo, a dependência financeira e a preocupação com os filhos.

“Muitas mulheres têm medo de denunciar. Às vezes dependem financeiramente do agressor ou têm filhos envolvidos. Por isso, a gente trabalha para fortalecer essa mulher e construir uma rede de apoio”, explicou.

Ela ressalta que o Centro não obriga a denúncia, mas orienta sobre direitos e caminhos possíveis.

“Nossa prioridade é fortalecer essa mulher para que ela tome a decisão no tempo dela, mas consciente dos seus direitos.”

A orientação é que, em casos de violência, a mulher procure inicialmente a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) para registrar o boletim de ocorrência e solicitar medida protetiva, que pode ser concedida em até 48 horas.

Também é possível fazer denúncia online, mas é necessário comparecer presencialmente para formalizar o processo.

“Mesmo que não consiga ir sozinha, busque uma amiga, um parente, alguém de confiança. O importante é não ficar em silêncio”, reforçou.

Juliana alertou que a violência nem sempre começa de forma física e pode se manifestar inicialmente de maneira psicológica e sutil.

“Um murro na parede já é um sinal. Críticas constantes, controle sobre a roupa ou comportamento também são sinais. A gente precisa estar atento a isso.”

Ela reforça a importância de refletir sobre as relações.

“Não é só o que você sente pela pessoa, é como ela faz você se sentir.”

O Centro de Referência Maria Quitéria está localizado na Rua Domingos Barbosa, nº 333, bairro Kalilândia, em Feira de Santana, e oferece atendimento especializado para mulheres em situação de violência.

“Não se sinta sozinha. Busque ajuda. Sua vida e sua saúde emocional são seu maior patrimônio.”

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