Dra. Juliane Prado explica fatores de risco, sinais de alerta e orienta famílias sobre como prevenir acidentes sem comprometer a autonomia dos idosos
As quedas em idosos são um dos principais fatores de risco para perda de autonomia e internações prolongadas. O alerta foi dado pela geriatra Juliane Prado durante entrevista ao programa De Olho na Cidade da Rádio Sociedade News, na qual destacou que o problema vai muito além do acidente em si e exige atenção às causas que levaram ao episódio.
“Infelizmente a gente vê que, quando os idosos sofrem uma queda, muitas vezes não conseguem mais voltar à vida normal, ficam acamados, é algo muito preocupante”, afirmou.
Segundo a médica, o ponto central da avaliação não deve ser apenas a queda, mas o que a provocou.
“Quando a pessoa cai, ela merece atenção para identificar o que levou. Pode ser algo do próprio indivíduo ou do ambiente”, explicou.
Entre os fatores mais comuns estão alterações visuais, como catarata e glaucoma, uso de medicamentos, especialmente os que atuam no sistema nervoso central e anti-hipertensivos, além da perda de massa muscular, conhecida como sarcopenia.
“Algumas medicações podem acarretar risco de queda e a fraqueza muscular vai se acentuando com o envelhecimento”, destacou.
Dra. Juliane reforça que é possível identificar sinais de risco antes de um acidente ocorrer. Entre eles estão alterações na marcha, lentidão ao caminhar e dificuldade para levantar da cadeira.
“Se a pessoa precisa usar os braços para se levantar, isso já é um sinal de fraqueza muscular”, afirmou.
Outro fator importante é a hipotensão postural, quando há queda de pressão ao mudar rapidamente de posição.
“A pessoa levanta rápido e pode sentir tontura ou até desmaiar. Isso já indica maior risco de queda”, explicou.
A médica destacou que o estilo de vida ativo é uma das principais ferramentas para reduzir quedas e preservar a independência na velhice.
“A atividade física funciona como um divisor de águas no processo de envelhecimento”, disse.
Ela ressaltou que a perda de massa muscular começa por volta dos 30 anos e se intensifica com o passar do tempo.
“Quem é ativo tem uma reserva muito maior do que quem não faz exercício”, afirmou.
Entre as práticas recomendadas, a geriatra cita exercícios de força, equilíbrio, flexibilidade e atividades aeróbicas.
“O ideal é o exercício multicomponente, mas para prevenção de quedas, força e equilíbrio são primordiais”, explicou.
Ela também destacou o Tai Chi Chuan como uma das atividades com maior evidência científica para prevenção de quedas.
Após um episódio, o primeiro passo é avaliar se houve gravidade, como perda de consciência, fraturas ou confusão mental.
“Mas a queda não termina aí. É preciso investigar o que levou àquele evento”, ressaltou.
O ambiente também deve ser analisado. Quedas dentro de casa podem indicar maior fragilidade do idoso, enquanto quedas na rua podem ocorrer em pessoas mais ativas.
“Quem cai dentro de casa geralmente já apresenta sinais de vulnerabilidade”, explicou.
A médica recomenda mudanças no ambiente doméstico para reduzir riscos, como retirada de tapetes, melhoria da iluminação, uso de calçados adequados e instalação de barras de apoio.
“O banheiro é um dos locais onde mais acontecem quedas dentro de casa”, alertou.
Dra. Juliane também chamou atenção para a forma como familiares devem orientar idosos, evitando imposições que comprometam a autoestima.
“O nosso papel não é proibir, é orientar. Tudo o que eles não querem é perder a autonomia”, disse.
Segundo ela, a abordagem deve ser cuidadosa para garantir adesão às mudanças necessárias sem gerar resistência.
A geriatra lembrou ainda que o envelhecimento populacional é uma realidade crescente no Brasil e que a prevenção deve começar cedo.
“A gente não pode esperar a velhice chegar para se preparar”, afirmou.
Ela destacou que genética influencia, mas estilo de vida tem peso ainda maior.
“Genética ajuda, mas o fator ambiental e o estilo de vida têm papel maior”, concluiu.
Dra. Juliane Prado atende nas clínicas AMO, Argos e Dr. Saúde.