Especialista explica riscos, primeiros socorros e reforça que automedicação pode agravar lesões
O período das festas juninas, marcado por fogueiras, fogos de artifício e maior circulação de pessoas em ambientes festivos, também acende um alerta para o aumento de acidentes envolvendo queimaduras. A especialista em feridas Áquilla Chahinne chama atenção para a gravidade desses casos e desmistifica a ideia de que a queimadura é sempre algo simples.
“Quando as pessoas falam em queimadura parece algo muito superficial, mas a gente sabe que elas podem levar inclusive ao óbito”, afirmou.
Segundo dados citados pela especialista, apenas em 2024 foram registrados cerca de 34 mil atendimentos relacionados a queimaduras no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão. Mais da metade dos casos está relacionada a acidentes domésticos, atingindo principalmente crianças.
“Mais de 50% desses acidentes são domésticos e envolvem crianças de até cinco anos. Já acompanhei diversos casos de crianças que não perceberam fogueiras durante brincadeiras e acabaram sofrendo queimaduras, além de acidentes com líquidos quentes dentro de casa”, relatou.
A especialista explicou que as queimaduras térmicas são causadas pelo contato direto com altas temperaturas, como fogo, líquidos quentes e fogueiras típicas do São João.
Ela detalhou a classificação das lesões:
“Pode ser de primeiro grau, atingindo apenas a primeira camada da pele; de segundo grau, que já atinge camadas mais profundas e forma bolhas; de terceiro grau, quando há destruição total da pele; e até de quarto grau, que pode atingir músculos, tendões e até ossos.”
Áquilla reforça que a primeira medida em caso de queimadura é buscar atendimento médico imediatamente, mas alguns cuidados iniciais são fundamentais.
“A primeira orientação é resfriar a área com água corrente por 10 a 20 minutos. Isso ajuda a aliviar a dor e evita que a lesão se aprofunde”, explicou.
Outro ponto importante é a retirada de objetos da área atingida.
“É preciso retirar anéis, pulseiras ou qualquer adorno, porque o inchaço pode comprometer a circulação e até levar à necrose”, alertou.
A especialista faz um alerta contra práticas comuns, mas perigosas, como o uso de substâncias caseiras.
“Nunca orientamos passar pasta de dente, café ou manteiga. Isso aumenta muito o risco de infecção”, disse.
Ela também reforça que as bolhas não devem ser rompidas.
“A bolha protege contra bactérias. Ao romper, a pessoa pode facilitar a entrada de infecção na pele.”
Segundo a especiaista, negligenciar o tratamento pode levar a complicações importantes, como infecções, cicatrizes elevadas e perda de mobilidade.
“Pode haver cicatriz hipertrófica e até contraturas que dificultam os movimentos”, explicou.
Ela destaca ainda que queimaduras em áreas sensíveis exigem atenção imediata:
“Quando a queimadura atinge rosto, pescoço, mãos, pés ou articulações, a busca por atendimento hospitalar deve ser imediata, porque são regiões de alta complexidade funcional.”
Durante a entrevista, também foram destacados relatos de pacientes atendidos em uma clínica especializada em curativos e tratamento de feridas, que relataram melhora significativa no processo de recuperação.
Uma das pacientes afirmou:
“Vale a pena fazer o tratamento aqui. Minha mãe, que tinha diabetes, foi recuperada. Eu sou testemunha disso. É muito bom.”
Áquilla Chahinne encerrou destacando a importância da prevenção e do acesso ao tratamento adequado.
“Quem precisa, precisa procurar ajuda. A clínica existe para contribuir com a qualidade de vida e com a cicatrização dos pacientes”, concluiu.