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Racha no PSD: Otto expõe bastidores do rompimento com Angelo Coronel

Senador afirma que proposta apresentada à cúpula nacional do partido foi considerada “inaceitável”, nega traição e diz ter sido surpreendido pela forma como o rompimento foi anunciado

Por Rafa
segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026
Imagem de Racha no PSD: Otto expõe bastidores do rompimento com Angelo Coronel

Em entrevista concedida nesta segunda-feira (2) à Rádio Metrópole, o senador Otto Alencar comentou a saída do senador Angelo Coronel do PSD e detalhou os bastidores do rompimento político na Bahia. Segundo Otto, a decisão de Coronel foi motivada por uma proposta considerada “inaceitável” pela direção estadual do partido.

De acordo com o senador, Angelo Coronel chegou a se reunir em São Paulo com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, onde teria sugerido que o partido permanecesse neutro na disputa pelo governo da Bahia, sem apoiar nem Jerônimo Rodrigues nem ACM Neto. Otto afirmou que a proposta contrariava uma decisão já tomada pelo PSD baiano, após consultas a prefeitos, parlamentares e lideranças, de manter o apoio ao governador Jerônimo.

Otto também destacou que a sugestão não encontrou respaldo entre deputados e dirigentes do partido no estado. Segundo ele, Kassab chegou a reforçar que as decisões deveriam ser alinhadas com a liderança estadual, lembrando a construção conjunta do PSD. A proposta apresentada, ainda conforme Otto, não agradou à bancada por desconsiderar os interesses eleitorais do grupo.

Ao comentar a trajetória política de Angelo Coronel, Otto afirmou que o senador só alcançou o mandato graças à aliança com o PSD, ressaltando que, em disputas anteriores, Coronel não teria obtido sucesso eleitoral sem o apoio da base governista. Para Otto, o peso das alianças foi decisivo nos pleitos ao Senado na Bahia ao longo dos últimos anos.

O senador também criticou a forma como o rompimento foi anunciado publicamente, relatando surpresa com a divulgação de notas e declarações antes de uma conversa direta. Segundo Otto, ele tentava dialogar para evitar o desgaste público e afirmou ter sido surpreendido pela condução do episódio, que, segundo ele, não passou pelas instâncias partidárias nem pelos aliados da base.

Sobre críticas de hegemonia do PT no grupo político, Otto rebateu e afirmou que sua atuação se dá a partir de uma posição de centro, baseada em confiança política e trajetória, e não por alinhamento ideológico automático. Ele negou que a saída de Coronel represente traição, afirmando que o colega nunca escondeu a simpatia por ACM Neto e que, nos últimos anos, passou a assumir uma posição mais à direita.

Angelo Coronel anunciou oficialmente sua desfiliação do PSD no sábado (31) e confirmou que disputará a reeleição ao Senado pela oposição ao governador Jerônimo Rodrigues. A crise interna no partido se intensificou após movimentações recentes no cenário nacional, incluindo novas filiações à legenda, e acabou aprofundando as divisões na base governista baiana.

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