Um dos exemplos de maior impacto é o reaproveitamento de TV Box, aparelhos ilegais que roubam sinal de TV por assinatura e são proibidos pela Anatel.
Durante a COP 30, em Belém, a Receita Federal apresentou ao público um dos projetos mais transformadores da instituição na Região Norte: o Receita Cidadã, programa responsável por dar nova finalidade a mercadorias apreendidas em operações de combate ao contrabando e à importação irregular.
A superintendente da Receita Cidadã no Norte, Aldair de Fátima Sampaio, explicou que a presença do órgão no evento ambiental faz todo sentido tanto do ponto de vista social quanto da sustentabilidade.
“Alguns podem se perguntar o que a Receita Federal estaria fazendo em um espaço de visitação da COP 30, mas eu digo o seguinte: tudo a ver com os objetivos de sustentabilidade da conferência”, afirmou.
Aldair detalhou como o projeto recupera mercadorias que, pela lei, não poderiam ser usadas no país, mas que passam a ganhar nova função por meio de parcerias com universidades federais, estaduais e institutos de tecnologia.
Um dos exemplos de maior impacto é o reaproveitamento de TV Box, aparelhos ilegais que roubam sinal de TV por assinatura e são proibidos pela Anatel. Só na Região Norte, mais de 50 mil unidades foram apreendidas.
“Transformamos esses TV Box em computadores que são doados a escolas de municípios com baixo IDH e pouco orçamento. Eles chegam com mais de 360 aplicativos educacionais, permitindo que as crianças aprendam mesmo sem conexão de internet ou sem a presença constante de um professor”, explicou.
O uso dos novos computadores também tem permitido pesquisas para desenvolver outras formas de destinação sustentável desses equipamentos.
Além dos eletrônicos, diversos outros produtos falsificados e irregulares também são reaproveitados:
“É uma infinidade de possibilidades para transformar aquilo que entrou no país de forma criminosa em produtos que voltam para a sociedade com dignidade e com uma nova finalidade”, disse Aldair.
A superintendente destacou que, antes do programa, a única destinação possível para toneladas de roupas, brinquedos, eletrônicos e calçados apreendidos era a destruição, um processo caro para o governo e extremamente nocivo ao meio ambiente.
“Você imagina toneladas e toneladas de roupa, sapato, eletrônicos e brinquedos de plástico sendo destruídos por um trator. A natureza levaria milhares de anos para processar esse material. Além disso, a Receita era obrigada a contratar empresas para fazer essa destruição, o que gerava custo público”, ressaltou.
Com o Receita Cidadã, esse cenário mudou:
“Agora, em vez de descartar tudo, devolvemos essas mercadorias para a sociedade com uma função social e ambiental. É isso que estamos mostrando na COP 30”, completou.
Questionada sobre o valor total convertido em benefícios para instituições e projetos sociais, Aldair afirmou que ainda não há um cálculo preciso:
“É difícil estimar, porque os itens são transformados antes de serem repassados, mas já estamos avaliando formas de calcular esse impacto.”
A participação do Receita Cidadã na COP 30 evidencia como ações de fiscalização podem se transformar em iniciativas de inclusão social, educação e proteção ambiental. O programa, que já reaproveita milhares de toneladas de produtos antes destinados ao lixo e ao custo público, se consolida como uma das principais vitrine da Receita Federal na agenda da sustentabilidade.
*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém