08/10/2026
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De Olho na Cidade
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7 min de leitura

Reforma tributária: veja o que muda para quem está no Simples Nacional

Consultor Glício Oliveira explica mudanças previstas, impactos sobre créditos tributários e decisões que os pequenos empresários precisarão avaliar para 2027.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
domingo, 27 de setembro de 2026 às 18:20
Imagem de Reforma tributária: veja o que muda para quem está no Simples Nacional

A reforma tributária já está produzindo mudanças que exigem atenção dos pequenos e médios empresários. Durante entrevista ao programa De Olho na Cidade, o administrador e consultor empresarial Glício Oliveira destacou que os empresários precisam compreender como as novas regras poderão afetar a formação de preços, o fluxo de caixa, a escolha de fornecedores e até mesmo a permanência no Simples Nacional.

Segundo Glício, a reforma não deve ser tratada apenas como uma responsabilidade do contador. Para ele, o empresário terá que participar diretamente das decisões relacionadas ao próprio negócio.

“A reforma tributária não vai quebrar as empresas, ela vai mostrar quem já está quebrado.”

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Simples Nacional terá novas decisões para os empresários

Glício chamou atenção para o prazo de setembro relacionado à possibilidade de empresas do Simples Nacional avaliarem a adoção do modelo híbrido, com a apuração de determinados tributos fora do DAS.

Segundo ele, a decisão precisa ser baseada em cálculos e simulações, considerando a posição da empresa dentro da cadeia produtiva e a possibilidade de geração de créditos tributários para seus clientes.

“É uma conta de fato, não é um caso de achismo.”

O consultor explicou que empresas que vendem para outras pessoas jurídicas podem precisar analisar cuidadosamente a questão dos créditos tributários. Em determinados casos, a opção pelo modelo híbrido poderá permitir a geração de créditos para o cliente, o que pode influenciar na escolha do fornecedor.

CBS e IBS entram no centro das mudanças

Entre os principais pontos da reforma estão a substituição de tributos atuais por novos impostos. Glício explicou que a CBS substituirá PIS e Cofins, enquanto o IBS substituirá gradualmente ICMS e ISS.

Ele também citou o Imposto Seletivo (IS), aplicado a determinados produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, além das mudanças relacionadas ao IPI.

De acordo com o consultor, no modelo híbrido o empresário poderá ter novas guias de recolhimento além do documento tradicional do Simples.

“Deixa de pagar um único documento e vai pagar dois documentos ou três.”

Empresário não pode deixar todas as decisões nas mãos do contador

Para Glício, o contador terá papel fundamental na adaptação das empresas, mas não poderá tomar sozinho decisões que pertencem ao empresário.

Entre os exemplos citados estão a escolha de fornecedores e de sistemas utilizados pela empresa. Ele explicou que a origem das compras poderá influenciar na geração de créditos tributários.

“O contador não pode escolher o seu fornecedor. Quem escolhe é você.”

Outro ponto destacado foi a importância dos sistemas de gestão e da emissão correta das notas fiscais, que, segundo Glício, terão papel ainda mais relevante com a implementação da reforma.

O consultor também alertou os empresários do comércio para a necessidade de atenção à classificação tributária dos produtos e ao levantamento do estoque até o final de 2026.

Planejamento financeiro passa a ser ainda mais importante

Glício relacionou as mudanças tributárias à necessidade de melhorar a gestão das empresas. Para ele, muitos negócios acabam enfrentando dificuldades não necessariamente pela falta de vendas, mas pela ausência de controle sobre fluxo de caixa, rentabilidade, custos, precificação e tributação.

Ele citou dados relacionados às empresas abertas durante a pandemia e afirmou que muitos empreendimentos foram criados naquele período por necessidade, sem planejamento suficiente.

“O que faz um negócio fechar hoje não é porque não vende. Nós sabemos vender. O que fecha os negócios é não entender fluxo de caixa, não entender rentabilidade, não saber o tributário de uma transação.”

Para o consultor, a precificação precisa considerar custos, despesas, margem de lucro e tributação.

“A precificação vai dizer se você vai ser saudável ou não. Isso você não vê vendendo no balcão, você vê atrás do balcão, no seu backoffice, discutindo estratégias de precificação e tributação.”

Reforma também amplia preocupação com fiscalização

Outro aspecto abordado foi o combate à sonegação. Glício avaliou que a reforma deverá ampliar a capacidade de fiscalização e tornar as operações financeiras mais integradas às informações tributárias.

Ele afirmou que diferentes participantes da cadeia econômica terão responsabilidades nesse processo, incluindo empresas prestadoras de serviços, transportadoras e os próprios consumidores.

Na avaliação do consultor, o fim de práticas de sonegação também poderá aumentar a importância da gestão de custos e da inovação como instrumentos de competitividade.

“Você quer ser competitivo? Vai ter que trabalhar muito bem gestão de custos. Você quer ser competitivo? Vai ter que ter diferencial competitivo.”

Empresários precisam acompanhar as mudanças

Glício também defendeu maior participação dos empresários em entidades representativas e nas discussões relacionadas às mudanças legislativas. Segundo ele, organizações como as CDLs podem levar demandas do setor a Brasília, mas a participação dos próprios empresários também é necessária.

“Precisa de um empresário atuar. Precisa do empresário participar.”

Ele citou ainda preocupações com aumento de carga tributária em determinados setores, impacto sobre o poder de compra e dificuldades enfrentadas por empresas diante de juros elevados e acesso mais caro ao crédito.

Para o consultor, o cenário exige organização.

“Não adianta você vender muito e não dar dinheiro. Porque o que pesa para o empresário é dinheiro no bolso, no final.”

Conexão Go será realizado em outubro

Durante a entrevista, Glício Oliveira também anunciou a realização do Conexão Go, evento empresarial marcado para o dia 20 de outubro, em Feira de Santana.

Segundo ele, o encontro terá quatro painéis voltados para temas como questões trabalhistas, tecnologia, reforma tributária e organização empresarial.

Um dos painéis será dedicado à reforma tributária, com a participação do especialista Genivaldo Oliveira, que, segundo Glício, acompanha os debates sobre o tema e participou da construção do manifesto do Simples Nacional em Brasília.

O evento também terá discussões sobre tecnologia e questões trabalhistas, além de relatos de empresários de Feira de Santana que passaram por processos de organização e crescimento empresarial.

O credenciamento está previsto para as 13h, com encerramento às 19h, no Convention Ville, no Villa Gourmet. As inscrições serão realizadas pelas redes sociais do Conexão Go.

Glício encerrou reforçando a necessidade de o empresário assumir participação ativa na gestão.

“O responsável pelo seu negócio é você. O jogo está aí, a reforma tributária já foi aprovada.”

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