Fundador do MBL e pré-candidato à Presidência diz que seu projeto não é moderado e promete enfrentamento ao sistema político tradicional.
O pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Missão, Renan Santos, afirmou em entrevista ao programa Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM, que o cenário político nacional vive um processo de desgaste das principais lideranças e que há espaço para mudança no comportamento do eleitorado.
Ao comentar pesquisas que indicam manutenção de apoio a Flávio Bolsonaro, mesmo após os episódios envolvendo o Banco Master, Renan avaliou que parte do eleitorado ainda está em disputa.
“Eu acho que há muito espaço pra convencimento dentro do eleitor dele. Eu não vejo uma pessoa militando a favor dele por aí.”
Questionado se acredita em um possível enfraquecimento do Flávio Bolsonaro, ele foi direto:
“Eu acho que ele vai chegar num núcleo duro, especialmente entre pessoas mais idosas, no bolsonarismo, de uns 15 a 20% não vão abandonar ele. Agora o restante vai procurar alternativa.”
Renan também comentou o chamado escândalo do Banco Master, que segundo ele atinge diferentes campos políticos e setores da sociedade.
“É o maior escândalo de corrupção da nossa história. Ele envolve esquerda, envolve a turma do governo Lula, envolve direita, bolsonarista, Centro, STF, Faria Lima e o Centrão. Pegou todo mundo.”
Ele afirmou ainda que o caso revela uma crise de representação política no país.
“As pessoas não vão para as ruas porque têm político de estimação. Se pega meu político, não falo nada. Só não pegou nós. Eu nunca recebi doação desse tipo de gente.”
Ao ser questionado sobre a dificuldade histórica de surgimento de uma “terceira via”, Renan rejeitou a classificação e criticou o cenário político atual.
“Eu não sou terceira via. Esse negócio de terceira via é chato, dá vontade de dormir.”
Ele também fez críticas diretas aos principais polos da política nacional.
“Lula e Bolsonaro são dois polos do centrão. Não resolvem problema nenhum. São projetos de poder.”
Renan ainda destacou o tema da segurança pública, citando a Bahia como exemplo de violência elevada.
“Feira de Santana é um lugar perigosíssimo. A Bahia está com cerca de 40 homicídios por 100 mil habitantes. Está disputando para ser um dos lugares mais inseguros do Brasil.”
Segundo ele, nenhuma das principais lideranças nacionais teria resposta efetiva para o problema.
“Nenhum desses caras tem resposta pra isso. Eu tenho muito mais energia do que esses concorrentes.”
O pré-candidato reforçou que não pretende se posicionar como alternativa moderada entre polos políticos.
“Eu sou um candidato de direita de verdade, sem rabo preso com ninguém. Não me coloquem como terceira via.”