Especialista destaca sinais de alerta, benefícios e cuidados necessários para homens e mulheres durante entrevista em rádio
A reposição hormonal, muitas vezes cercada de dúvidas e receios, pode representar mais qualidade de vida para homens e mulheres quando realizada de forma adequada e acompanhada por profissionais capacitados. O tema foi abordado pela médica nutróloga Aline Jardim, durante o quadro Saúde em Pauta, onde ela esclareceu indicações, benefícios, riscos e avanços nos tratamentos.
Segundo a médica, a reposição hormonal ainda é um tema cercado de desinformação, apesar dos avanços científicos. A especialista destacou que mantém constante atualização profissional e participou recentemente de estudos em São Paulo voltados ao tema.
“Eu amo o que faço, amo estudar, estar sempre atualizada. Estive esse final de semana em São Paulo, mergulhada em estudos sobre reposição hormonal, que ainda é um tema muito carente. Quando bem indicada, fisiologicamente e com todos os cuidados, ela é vida”, afirmou.
A médica explicou que a terapia hormonal pode ser recomendada em diferentes situações clínicas, tanto para mulheres quanto para homens. No caso feminino, ela destacou a perimenopausa e a menopausa como fases importantes para avaliação, além de quadros como osteopenia, osteoporose, sarcopenia e endometriose.
“Nós temos várias indicações para reposição hormonal. Pensando em mulheres, podemos fazer reposição na perimenopausa e menopausa, ajudar em osteopenia, osteoporose e sarcopenia. Também tratamos endometriose com hormônios”, explicou.
Já para os homens, a indicação ocorre principalmente em casos de hipogonadismo, condição caracterizada pela baixa testosterona, muitas vezes associada ao envelhecimento, obesidade e diabetes.
“A testosterona não está ligada apenas à libido sexual, mas à libido de vida. O homem com testosterona baixa fica fadigado, desanimado, sem energia, inclusive para atividades do dia a dia”, destacou.
De acordo com a nutróloga, não é necessário esperar alterações graves nos exames para buscar ajuda médica. Em mulheres, sintomas como fadiga constante, desânimo, queda da libido, alterações no sono, humor instável e desconfortos íntimos podem indicar necessidade de investigação.
“Ela se sente diferente, cansada o tempo inteiro, arrastada, sem energia para fazer o que antes fazia normalmente. São sinais que precisam ser investigados”, pontuou.
A médica também alertou sobre casos de endometriose, que podem surgir desde a adolescência e provocar cólicas intensas, fluxo menstrual excessivo e alterações emocionais.
“Não devemos nos conformar com o sofrimento. Se você não se sente bem com algo, procure ajuda porque existe tratamento”, reforçou.
Embora os tratamentos possam ser indicados ainda na adolescência em casos específicos, como endometriose, a especialista orienta que mulheres a partir dos 40 anos recebam um acompanhamento mais atento devido às mudanças hormonais da perimenopausa.
“Se nós pensarmos em mulheres na perimenopausa e menopausa, já temos que começar a olhar com mais carinho a partir dos 40 anos”, afirmou.
Ela também chamou atenção para impactos indiretos causados por alterações hormonais, como anemia crônica em mulheres com fluxo menstrual intenso.
“A anemia atrapalha cognição, energia, tireoide, causa queda de cabelo e fadiga. O ferro leva oxigênio para o corpo, então a pessoa fica realmente sem disposição”, explicou.
Apesar dos benefícios, a médica ressaltou que a reposição hormonal exige avaliação criteriosa, exames laboratoriais e acompanhamento médico constante, já que existem riscos e contraindicações.
“Sempre há riscos. Precisamos fazer uma gama de exames e acompanhar essa mulher ou esse homem. Na medicina, temos que avaliar o que oferece mais benefício e menos risco”, afirmou.
A especialista ainda alertou sobre procedimentos inadequados realizados sem o devido preparo técnico.
“Infelizmente ainda existem médicos não capacitados fazendo atrocidades com pacientes. Muitas pessoas chegam desanimadas ou com medo da reposição porque foi feito tudo errado”, lamentou.
A médica reforçou que existem diversas formas de administração hormonal, como gel, implantes, adesivos, medicamentos tópicos e intravaginais, e que a escolha deve ser personalizada.
“Eu preciso sempre esclarecer e mostrar todas as possibilidades ao paciente. Junto com ele, definimos qual é a melhor via para cada caso”, concluiu.