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Saúde feminina integrativa ganha espaço e propõe olhar além dos sintomas, destaca especialista

Abordagem que integra corpo, mente e hábitos de vida busca identificar causas profundas de sintomas e melhorar a qualidade de vida das mulheres

Redação:
quinta-feira, 26 de março de 2026 às 23:54
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A busca por uma compreensão mais profunda da saúde da mulher tem impulsionado abordagens que vão além do tratamento imediato dos sintomas. Em entrevista a série especial Março Mulher no programa Jornal do Meio Dia, a especialista em fisioterapia funcional integrativa, Vanessa Carvalho, destacou a importância de um olhar sistêmico para identificar as causas reais dos problemas que afetam o bem-estar feminino.

Segundo Vanessa, o modelo tradicional ainda está muito centrado em aliviar sintomas, sem investigar suas origens.

“O modelo tradicional realmente foca em resolver rapidamente os sintomas. Só que muitas vezes ele não pesquisa a origem. O corpo até melhora momentaneamente, mas continua dando sinais de que não está bem”, explicou.

Ela ressalta que o sintoma deve ser encarado como um alerta do organismo, e não como o problema principal.

“O sintoma é um sinal de alerta, porém ele não é a causa raiz. Quando você trata apenas o sintoma, na maioria das vezes o problema volta, ou surge de outra forma”, afirmou.

Causas múltiplas e olhar ampliado

Na prática clínica, a especialista observa que sintomas comuns como fadiga, queda de cabelo, ansiedade e alterações hormonais geralmente não têm uma única causa.

“Não existe apenas um fator. É uma soma de questões como deficiências nutricionais, disbiose intestinal, presença de metais pesados, estresse crônico e processos inflamatórios”, destacou.

Vanessa também chama atenção para o impacto direto de fatores como sono, alimentação e estresse na saúde hormonal.

“O estresse crônico afeta o eixo hormonal, aumentando o cortisol. Já o sono não reparador, mesmo quando a pessoa acha que dormiu bem, pode gerar um desgaste ao longo dos anos e resultar em doenças crônicas”, explicou.

Escuta ativa como ferramenta essencial

Outro ponto enfatizado pela especialista é a importância da escuta ativa durante o atendimento. Para ela, compreender a história de vida da paciente é fundamental no processo de diagnóstico.

“A história do paciente pesa muito mais do que apenas exames. É ali que você identifica traumas, relações abusivas, problemas no trabalho, alimentação inadequada. Muitas vezes, a causa está nesses detalhes”, afirmou.

Ela acrescenta que até sintomas como enxaqueca podem estar relacionados a hábitos alimentares ou rotina desregulada.

“Quando você escuta de verdade, consegue identificar não só a causa, mas também outras desordens associadas”, pontuou.

Sobre a possibilidade de reversão de quadros crônicos, Vanessa destaca que, na maioria dos casos, isso é possível, desde que haja comprometimento da paciente.

“O paciente também é responsável pelo próprio processo. Ele precisa entender o que é um sono de qualidade, uma boa alimentação, hidratação adequada. Tudo no corpo funciona de forma integrada”, disse.

Para mulheres que percebem que algo não está bem, mas ainda não encontraram respostas, a orientação é clara: não ignorar os sintomas.

“A primeira coisa é dar atenção ao sintoma. Muitas mulheres acabam colocando isso em segundo plano por conta da rotina. É preciso buscar uma escuta qualificada e uma avaliação mais profunda”, orientou.

Ela também destacou a importância do autoconhecimento. “Entender o que desencadeia o sintoma, o que piora, em que momento ele aparece. Esse processo é essencial para chegar à causa”, completou.

Estrutura voltada ao bem-estar

Vanessa Carvalho também falou sobre a proposta da Clínica Essenciale, localizada no edifício Charmantt, em Feira de Santana. Segundo ela, o espaço foi pensado para proporcionar uma experiência completa ao paciente.

“A clínica foi projetada para estimular os cinco sentidos, ajudando a modular o estresse já na chegada. O ambiente contribui para que o paciente se sinta acolhido e preparado para o atendimento”, explicou.

A especialista também compartilhou a motivação pessoal que a levou à área. “Meu pai tem uma doença autoimune rara, e isso me fez mergulhar nesse conhecimento para ajudá-lo. Tenho muito orgulho dessa trajetória”, declarou.

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