Rodrigo Matos afirma que gargalos em exames como tomografia e ressonância exigem planejamento, ampliação da oferta e investimentos em estrutura própria do município
A dificuldade no acesso a exames complexos e consultas especializadas ainda é uma das principais reclamações da população de Feira de Santana. O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, reconheceu os desafios enfrentados pelo sistema, mas afirmou que a Prefeitura tem trabalhado para ampliar a oferta de serviços, reduzir filas e estruturar a rede pública com novos equipamentos e unidades.
Questionado sobre relatos de pacientes aguardando exames desde o início do ano, o secretário admitiu a existência de gargalos, principalmente em procedimentos de maior complexidade, como tomografia e ressonância magnética.
Segundo ele, o problema exige planejamento e não possui solução imediata.
“Não existe solução fácil para problema complexo. Dizer isso é desonesto intelectualmente”, afirmou. “Existem gargalos como ressonância e tomografia, que são exames de mais alta densidade tecnológica. Então, Feira de Santana optou por implantar serviços próprios”, acrescentou.

Dr. Rodrigo informou que o futuro Hospital Municipal já está provisionado para oferecer exames como tomografia e ressonância. Além disso, a nova policlínica municipal, atualmente em fase de licitação, também contará com esses serviços.
“Estamos evoluindo na construção de um serviço estruturado para atender as demandas reais da população”, ressaltou.
De acordo com o secretário, um dos avanços da atual gestão foi a informatização da central de regulação, permitindo monitorar filas e identificar áreas com maior demanda.
“Hoje temos uma fila de espera de cada exame e de cada consulta, onde podemos trabalhar com dados. Se eu sei que existe uma fila maior para ultrassonografia, por exemplo, posso alocar mais recursos para reduzir essa demanda”, explicou.
Dr. Rodrigo destacou ainda a realização recente de mutirões de tomografia no município, o que ajudou a diminuir a fila de espera, embora admita que a demanda ainda esteja acima da capacidade ofertada.
“Se a gente precisa fazer mutirões reiterados, significa que a oferta ainda está descasada da demanda. Então, temos que aumentar essa oferta de forma regular”, pontuou.
Enquanto os equipamentos públicos não entram em funcionamento, a Secretaria informou que está ampliando o acesso por meio da rede privada credenciada.
Outro ponto abordado foi a reclamação de usuários sobre dificuldades no acompanhamento de solicitações médicas por WhatsApp e aplicativo, obrigando pacientes a se deslocarem até unidades de saúde para verificar se exames foram agendados.
O secretário reconheceu limitações no sistema, mas afirmou que a evolução tecnológica é contínua.
“Melhoria da infraestrutura tecnológica é diária. Eu não vou dizer que tudo é perfeito”, disse. “Às vezes falta um documento ou relatório médico, e o sistema registra como pendente. Muitas vezes a pessoa não consegue acompanhar por dificuldade tecnológica e procura a unidade para orientação”, completou.
Apesar das críticas, Dr. Rodrigo defendeu a estrutura de atendimento da rede municipal e destacou o volume de procedimentos realizados diariamente.
“Feira de Santana realiza um grande movimento de marcação de consultas, exames e procedimentos todos os dias, de segunda a domingo. É um volume muito grande, maior do que o de muitas capitais”, concluiu.
*Com informações do repórter JP Miranda