Especialista destaca que controle dos fatores de risco é o que realmente reduz chances de infarto e AVC
Na última sexta-feira (6), Henrique Maderite, de 50 anos, morreu por infarto fulminante. A morte do influencer, conhecido pelo bom humor, evidenciou um detalhe sobre uma marca de risco à saúde quase silenciosa: o sinal de Frank.
No Momento IDM Cardio, o cardiologista Germano Lefundes esclareceu dúvidas sobre o sinal, uma marca na orelha que, segundo informações difundidas nas redes sociais, poderia indicar risco de infarto. O especialista alertou que, apesar de haver estudos antigos associando o sinal a eventos cardiovasculares, não existe comprovação de relação causal direta.
De acordo com o médico, o sinal de Frank é uma prega diagonal no lóbulo da orelha.
“É uma prega diagonal na orelha, no lobo da orelha, como se tivesse uma linha dividindo essa região. Foi associada, principalmente no passado, a um risco maior de eventos cardiovasculares, mas isso não significa relação causal”, explicou.

Segundo ele, a identificação é simples e pode ser feita pela própria pessoa.
“Qualquer pessoa pode observar. É uma linhazinha mais profunda no lobo da orelha, mas esse é um sinal que não gera um risco automático de infarto”, ressaltou.
O cardiologista lembrou que a possível relação surgiu a partir de estudos da década de 1960, descritos por um pesquisador de sobrenome Frank, origem do nome do sinal. No entanto, pesquisas posteriores não confirmaram de forma consistente essa conexão.
“A associação é fraca e não está clara na literatura. Estudos mais recentes e metanálises não demonstraram relação causal”, afirmou.
Ele contou que, nos últimos dias, recebeu diversas mensagens de pacientes preocupados.
“Teve paciente me mandando foto da orelha, perguntando se aquilo era o sinal e se dava para prever quando iria infartar. Muitos já tinham exames recentes normais e fatores de risco controlados”, relatou.
Para o especialista, o foco deve estar nos fatores já comprovadamente ligados às doenças cardiovasculares. Entre eles:
“Ter colesterol alto aumenta o risco cardiovascular. Diabetes aumenta significativamente o risco de eventos. Hipertensão também é um fator bem relacionado. Esses são fatores silenciosos e precisam ser controlados”, destacou.
Ele reforçou que possuir fatores de risco não significa uma “condenação”, mas sim um alerta para agir com antecedência.
“Hoje temos ferramentas que permitem estratificar o risco de eventos cardiovasculares em dez anos. Isso nos dá uma janela de oportunidade para intervir e reduzir esse risco.”
O médico alertou que o medo causado por informações superficiais pode ser prejudicial e pouco eficaz para promover mudanças duradouras.
“O medo não é um bom gatilho para mudança. Ele dura pouco e não gera transformação. Precisamos repetir que é possível prevenir doença cardiovascular.”
Ele enfatizou que a verdadeira redução do risco está nas atitudes cotidianas.
“Não basta fazer o exame e colocar a pasta sobre o braço achando que nada vai acontecer. O que reduz risco é mudança de atitude.”
Entre as orientações estão a prática regular de atividade física, melhora do padrão alimentar, redução de ultraprocessados, abandono do cigarro, controle do estresse e adesão correta ao tratamento médico quando necessário.
“Eu sempre digo que precisamos converter medo em mudança. Mudar um por cento por dia já traz uma melhora significativa.”
Para o cardiologista, nenhum sinal isolado define o destino de uma pessoa.
“Nenhum sinal específico, como o sinal de Frank, vai definir a vida de ninguém. Mas nossas atitudes do dia a dia, sim. Procurar o médico, fazer exames e mudar hábitos é o que realmente evita infarto, AVC e morte súbita.”