09/06/2026
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Síndrome do intestino irritável afeta cerca de 10% da população, alerta especialista

Médico gastroenterologista destaca relação direta entre emoções, alimentação e saúde intestinal durante mês de conscientização da doença

Redação:
domingo, 19 de abril de 2026 às 18:24
Imagem de Síndrome do intestino irritável afeta cerca de 10% da população, alerta especialista

Durante o mês de conscientização sobre a síndrome do intestino irritável, especialistas reforçam a importância do diagnóstico e do cuidado integral com os pacientes. Em entrevista ao Jornal do Meio Dia, o médico gastroenterologista Fábio Teixeira explicou que a condição é mais comum do que se imagina e pode impactar significativamente a qualidade de vida.

“Estima-se que cerca de 10% da população, em algum momento da vida, vai apresentar a síndrome do intestino irritável. É uma condição que conecta o ser humano como um todo: mente, intestino, rotina, alimentação”, afirmou o médico.

Segundo ele, além dos impactos físicos, a síndrome também afeta o emocional e até a vida profissional dos pacientes.

“O impacto vai do ponto de vista econômico, quando a pessoa não consegue trabalhar, até o emocional, porque muitas vezes ela não é acolhida e a dor é real”, destacou.

A síndrome do intestino irritável é caracterizada principalmente por dor abdominal recorrente e alterações no funcionamento intestinal.

“A principal característica é a dor abdominal crônica, pelo menos uma vez por semana nos últimos três meses, associada à mudança do hábito intestinal”, explicou Fábio Teixeira.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Constipação (intestino preso)
  • Diarreia
  • Alternância entre os dois quadros
  • Inchaço abdominal
  • Sensação de evacuação incompleta

O especialista ressalta que a doença não apresenta alterações detectáveis em exames tradicionais, o que pode dificultar o diagnóstico e gerar insegurança no paciente.

“Muitas vezes fazemos exames e não encontramos nada. Isso gera medo: o paciente pensa que pode ser algo mais grave”, disse.

Um dos pontos mais enfatizados pelo médico é a ligação direta entre o emocional e o funcionamento intestinal.

“Hoje sabemos que o intestino manda no cérebro e o cérebro manda no intestino. É uma via de mão dupla”, explicou.

Ele destaca que ansiedade, estresse e depressão influenciam diretamente os sintomas.

“Se a pessoa está mais ansiosa, pode ter mais diarreia. Se está mais triste, pode ter constipação. O intestino reflete o momento emocional da vida”, afirmou.

De acordo com o especialista, mais de 65% dos pacientes atendidos apresentam algum grau de impacto emocional associado.

“Se não tivermos a habilidade de ouvir e acolher, não conseguimos tratar. Não existe só um remédio: é preciso cuidar do ser humano como um todo”, pontuou.

O tratamento da síndrome do intestino irritável exige uma abordagem ampla, envolvendo diferentes áreas da saúde.

“Não é só tratar o intestino, é tratar o paciente de forma integral. Médico, nutricionista, psicólogo — todos fazem parte desse processo”, destacou.

Além disso, o uso de medicamentos pode ser necessário em alguns casos, inclusive para controle da ansiedade e da sensibilidade intestinal.

“Às vezes precisamos usar neuromoduladores para reduzir a hipersensibilidade, o medo e a angústia”, explicou.

O médico também reforçou medidas simples que podem ajudar na prevenção e no controle da doença:

  • Alimentação mais natural e menos industrializada
  • Prática regular de atividade física
  • Ingestão adequada de água
  • Controle do estresse
  • Qualidade do sono
  • Cuidado com a saúde emocional

“Quando a gente fala em cura, muitas vezes falamos em qualidade de vida. Precisamos tirar a dor, a angústia e o sofrimento do paciente”, afirmou.

Ele ainda destaca a importância da autorresponsabilidade. “O paciente também faz parte do tratamento. Ele pode repensar suas escolhas e transformar sua vida”, concluiu.

A campanha de conscientização busca dar visibilidade à síndrome e estimular políticas de saúde mais eficazes.

“É uma das doenças mais desvalorizadas pela medicina, mas quem sente sabe o quanto precisa ser ouvido”, alertou o médico.

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