08/06/2026
--
De Olho na Cidade
InícioMarço Mulher
4 min de leitura

Sobrecarga invisível: psicóloga alerta para impacto da carga mental e aponta caminhos para o propósito feminino

Sobrecarga mental feminina vai além das tarefas do dia a dia, impacta a identidade e pode levar ao esgotamento emocional sem que seja percebida.

Redação:
quarta-feira, 25 de março de 2026 às 23:52
Imagem de Sobrecarga invisível: psicóloga alerta para impacto da carga mental e aponta caminhos para o propósito feminino

Durante a série especial Março Mulher 2026, no Jornal do Meio Dia da rádio Princesa FM, a psicóloga clínica Vivina Gabriela trouxe uma reflexão sobre a chamada “carga mental” e os desafios enfrentados pelas mulheres na busca por equilíbrio entre múltiplas funções e propósito de vida.

Com mais de uma década de atuação, a especialista destacou que a pressão para “dar conta de tudo” tem um custo emocional alto, muitas vezes silencioso.

“Tentar ser nota dez para todo mundo faz, muitas vezes, você acabar sendo zero para si mesma”, afirmou.

Segundo a psicóloga, o principal impacto dessa cobrança constante é a perda da própria identidade. Ela explica que muitas mulheres acabam se desconectando de quem realmente são ao tentar atender expectativas externas.

“Quando a gente corre desesperadamente para suprir expectativas de tudo e de todos, chega um momento em que não sabe mais nem quem é”, disse.

Vivina compara essa realidade a alguém tentando equilibrar várias “bolas de cristal”.

“Para quem está de fora parece tudo perfeito, mas por dentro essa mulher se sente em estilhaços”, pontuou.

Carga mental: o peso invisível

A profissional também explicou o conceito de carga mental, destacando que ela vai além das tarefas do dia a dia.

“Enquanto a mulher está fazendo uma atividade, a mente não para. Mesmo quando ela descansa, a mente continua trabalhando”, explicou.

De acordo com ela, além das obrigações práticas, existem preocupações constantes que ampliam esse peso.

“A cada tarefa física, é como se ela colocasse mais três pedras invisíveis na mochila, com pensamentos de preocupação e ansiedade”, comparou.

“Síndrome da Mulher Maravilha” e os “três Ds”

Durante a entrevista, Vivina apresentou o conceito dos “três Ds” que marcam o esgotamento emocional:

  • Desvalor: quando a mulher passa a acreditar que só tem valor pelo que faz
  • Desamparo: sensação de estar sozinha e precisar dar conta de tudo
  • Desesperança: visão negativa do futuro e sensação de esgotamento extremo

Para ela, o mais preocupante é o desvalor.

“A mulher começa a achar que, se não fizer tudo, perde o valor e isso mexe diretamente com a identidade”, destacou.

Exaustão não é medalha

Outro ponto levantado foi a romantização da exaustão, muitas vezes vista como sinônimo de produtividade.

“A gente começa a achar que estar ocupada é estar sendo produtiva, mas nem sempre. Às vezes você está ocupada e sente que não fez nada”, disse.

Ela alerta que esse comportamento pode levar a quadros mais graves, como ansiedade, depressão e burnout.

Propósito e equilíbrio: a virada de chave

Ao falar sobre propósito, a psicóloga fez uma analogia entre “correr atrás do vento” e ser guiada por ele.

“Não é sobre trocar o motor potente que a mulher tem, mas aprender a usar o freio e a direção”, explicou.

Ela também destacou a importância de entender que a vida não é uma corrida de curta distância.

“A vida é uma maratona. Se você viver como se fosse uma corrida de 100 metros, pode não chegar à linha de chegada”, afirmou.

Pedir ajuda é essencial

Vivina compartilhou ainda uma experiência pessoal durante a gestação, quando precisou buscar apoio profissional para lidar com um episódio depressivo.

“Tirar a capa da Mulher Maravilha e pedir ajuda foi essencial. A gente não dá conta de tudo sozinho”, relatou.

Segundo ela, reconhecer limites e buscar suporte, seja psicológico, médico ou emocional, é fundamental para o equilíbrio.

A psicóloga também ressaltou o papel da espiritualidade como ferramenta de enfrentamento, destacando sua relevância na realidade brasileira.

“A espiritualidade é uma das estratégias mais poderosas de enfrentamento. Ela faz parte da base do brasileiro”, afirmou.

Vivina reforçou a importância do cuidado emocional e se colocou à disposição para atendimento profissional.

“Será uma honra acolher, ouvir e ajudar cada pessoa nesse processo. Todos podem florescer”, concluiu.

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.