Paulo Sérgio Luz avalia que decisão tem caráter comercial e destaca confiança na atuação do Ministério da Agricultura
A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal para o bloco europeu repercutiu no setor agropecuário brasileiro e gerou preocupação entre produtores. A medida, anunciada na terça-feira (12), passa a valer a partir do dia 3 de setembro e foi justificada por autoridades europeias sob a alegação de que o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na criação animal.
Durante entrevista ao portal De Olho na Cidade, o diretor da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), Paulo Sérgio Luz, afirmou que o país já se mobiliza para reverter a decisão e garantiu que, até o momento, as exportações seguem normalmente.

“Primeiramente, a exportação dos produtos de origem animal continua normalmente. Essa decisão decorreu de uma votação realizada no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia e passa a ter validade a partir de 3 de setembro”, explicou.
Segundo Paulo Sérgio, o Ministério da Agricultura já divulgou uma nota oficial informando que tomará providências para tentar restabelecer a autorização do Brasil junto ao mercado europeu.
“O Ministério da Agricultura já publicou uma nota dizendo que tomará as medidas necessárias para reverter essa decisão e o Brasil voltar para essa lista de países autorizados, até porque o Brasil fornece alimentos para a União Europeia há muitos anos”, destacou.
O diretor da ADAB reforçou que o sistema sanitário brasileiro evoluiu significativamente nas últimas décadas e citou avanços no controle de doenças animais como um dos fatores que fortalecem a confiança na reversão da medida.
“O que aconteceu de lá para cá foi que a nossa situação sanitária melhorou. Hoje nós não temos mais febre aftosa, por exemplo. A Bahia e o Brasil receberam um certificado internacional reconhecendo que estamos livres da doença”, afirmou.
Paulo Sérgio também mencionou o controle da influenza aviária, ressaltando que o Brasil mantém cenário favorável em comparação a outros países.
“A gente não tem influenza aviária em granjas comerciais. Houve um único caso no Rio Grande do Sul no ano passado, mas foi rapidamente combatido”, pontuou.
De acordo com ele, representantes do governo brasileiro já iniciaram tratativas diplomáticas para tentar alterar a decisão europeia.
“O chefe da delegação do Brasil já entrou em contato com a União Europeia e uma reunião deve acontecer ainda esta semana. Tenho plena certeza de que o Brasil conseguirá reverter essa decisão porque, tecnicamente, ela não se sustenta”, declarou.
A exclusão do Brasil da lista europeia ocorreu após questionamentos relacionados ao uso de antimicrobianos, substâncias utilizadas para prevenir e tratar infecções em animais. A União Europeia proíbe o uso desses medicamentos para estimular crescimento ou elevar produtividade dos rebanhos, além de restringir substâncias consideradas essenciais para tratamentos humanos.
Segundo informações divulgadas por agências internacionais, o bloco europeu entendeu que o Brasil não conseguiu comprovar integralmente o cumprimento das exigências sanitárias durante todo o ciclo de criação dos animais destinados à exportação.
A decisão pode afetar exportações de carne bovina, aves, equinos, ovos, pescados, mel e outros produtos de origem animal. Apesar disso, o Brasil poderá voltar à lista caso demonstre adequação às exigências impostas.
Na avaliação de Paulo Sérgio Luz, a decisão da União Europeia pode estar relacionada a interesses econômicos e concorrenciais, diante do crescimento das exportações brasileiras.
“Na minha opinião, pode estar querendo se transformar uma barreira comercial não assumida em barreira sanitária. O Brasil aumenta a cada ano a quantidade de produtos exportados para a União Europeia, e isso certamente incomoda produtores de lá”, avaliou.
Ele argumentou ainda que o custo de produção brasileiro é mais competitivo, sobretudo na pecuária bovina.
“A carne produzida no Brasil tem qualidade e também preço competitivo. Aqui o gado é criado a pasto, enquanto em muitos países europeus os animais ficam confinados boa parte do tempo, o que aumenta muito os custos”, explicou.
Sobre o uso dos antimicrobianos, Paulo Sérgio reforçou que os produtos brasileiros passam por rigorosos controles laboratoriais.
“Tudo isso passa por análise. A carne, o leite, os queijos produzidos no Brasil são analisados em laboratório. Temos certeza de que não há nada que torne os alimentos produzidos no Brasil impróprios para o consumo humano”, afirmou.
*Com informações de Jorge Biancchi