Embora a toxina botulínica seja popularmente associada a procedimentos estéticos, seu uso terapêutico é cada vez mais reconhecido pela medicina.
O neurologista Dr. Tarsis Farias participou do quadro Neuroreabilitação em Pauta, no programa Cidade em Pauta e falou sobre o uso da toxina botulínica no tratamento da dor, um tema ainda pouco conhecido fora do campo estético.
Segundo o médico, embora a toxina botulínica seja popularmente associada a procedimentos estéticos, seu uso terapêutico é cada vez mais reconhecido pela medicina.
“A toxina é mundialmente conhecida pelos tratamentos estéticos, mas ao longo dos anos foi observado que pacientes tratados por outros motivos também relatavam melhora de dores crônicas após as aplicações”, explicou o neurologista.
Essa observação levou a uma série de pesquisas e à ampliação do uso clínico da toxina, especialmente para o tratamento de cefaleias crônicas e enxaquecas.
“Hoje ela é utilizada principalmente no tratamento da dor de cabeça, especialmente enxaquecas que não respondem bem a medicamentos. Estudos mostram que a aplicação da toxina pode ter até 70% de eficácia nesses casos”, destacou.
Dr. Tarsis explicou que a substância é produzida por uma bactéria, mas em laboratório é isolada e aplicada em doses muito pequenas e seguras.
“A toxina age bloqueando substâncias que transmitem a mensagem de dor do nervo para o cérebro. Com isso, ela impede que o estímulo doloroso chegue ao sistema nervoso central, proporcionando alívio significativo”, detalhou.
Além das dores de cabeça, o especialista relatou que a toxina é eficaz em outros tipos de dores musculares e neuropáticas.
“Pacientes com dor muscular localizada, espasticidade ou dores causadas por lesão de nervo também se beneficiam do tratamento. Muitas vezes, a melhora é expressiva”, afirmou.
De acordo com o neurologista, o uso terapêutico da toxina é seguro e controlado.
“Apesar de ser produzida por uma bactéria, as doses aplicadas são pequenas e agem apenas no local da injeção. O risco de efeitos sistêmicos é praticamente nulo, e os efeitos colaterais, quando ocorrem, são locais e reversíveis”, assegurou.
O tratamento costuma ser repetido a cada três a quatro meses, garantindo a manutenção dos resultados e evitando a perda gradual do efeito.
“A reaplicação periódica é importante, mas também dá segurança, porque se houver algum efeito adverso, ele é temporário. Além disso, com o tempo, muitos pacientes passam a precisar de doses menores”, explicou o médico.
Dr. Tarsis enfatizou o impacto positivo do tratamento na qualidade de vida de quem sofre com dores crônicas, como enxaquecas diárias.
“As dores de cabeça são uma das principais causas de afastamento do trabalho e comprometimento funcional. Poder devolver qualidade de vida e produtividade a essas pessoas é extremamente gratificante”, afirmou.
O neurologista também aproveitou para esclarecer dúvidas e desmistificar alguns receios sobre o procedimento.
“Primeiro, é importante entender que não é uma aplicação única e definitiva, é um tratamento contínuo. Segundo, é muito seguro quando feito por profissionais experientes. E, por fim, o mais importante: ninguém precisa se conformar com a dor. Sempre existe uma possibilidade de melhora”, ressaltou.
Dr. Tarsis Farias atende em Feira de Santana, no Edifício Metropolitan Center, Sala 701 e na Clínica Argos, localizada na Avenida Maria Quitéria.
Ele compartilha informações e conteúdos sobre saúde neurológica em seu perfil no Instagram: @drtarsisfarias.