Cooperação com complexo de Macau pode impulsionar pesquisas em fitoterápicos, intercâmbio acadêmico e desenvolvimento tecnológico em Feira de Santana
A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) deu mais um passo em sua estratégia de internacionalização ao receber representantes do Parque Industrial de Ciência e Tecnologia da Medicina Tradicional Chinesa Guangdong-Macau (GMTCM Park), complexo voltado à pesquisa, inovação e desenvolvimento de produtos ligados à medicina tradicional chinesa, fitoterápicos e dispositivos médicos.
O encontro aconteceu na última segunda-feira (18), no campus da universidade, e reuniu gestores da instituição com Jessy Sun e Sofia Su, representantes do parque chinês. A visita teve como principal objetivo discutir possibilidades de cooperação entre a Uefs e o complexo asiático, com foco nas áreas de medicamentos fitoterápicos, biotecnologia de alta performance, farmacologia e botânica.
A recepção foi conduzida pela reitora da universidade, Amali Mussi, e pela vice-reitora, Rita Brêda. Segundo a gestora, o encontro representa um marco importante no fortalecimento das relações internacionais da instituição.
“A Universidade Estadual de Feira de Santana tem realizado várias iniciativas de aproximação com instituições da China. Para nós, é uma imensa alegria recebê-las, demonstrando a nossa predisposição em estreitar esses laços e já sair daqui com um convênio firmado, fortalecendo o ensino, a pesquisa e a extensão na nossa instituição”, ressaltou a reitora.
Amali destacou que o parque tecnológico de Macau demonstrou forte interesse no portfólio de fitoterápicos desenvolvido pela universidade, além das pesquisas realizadas nas áreas de farmacologia, biotecnologia e botânica.
“Eles demonstraram forte interesse no nosso portfólio de fitoterápicos e também destacaram nossas pesquisas em farmacologia, biotecnologia e botânica. Entendemos que essa parceria pode colocar Feira de Santana na rota global da biotecnologia”, afirmou.
De acordo com a reitora, um dos fatores que tornam a parceria estratégica é a expertise tecnológica do complexo chinês, especialmente nos processos de controle de qualidade, extração de compostos e ensaios clínicos, o que pode acelerar o desenvolvimento de pesquisas e produtos.
“O parque de Macau possui tecnologias de ponta em controle de qualidade, extração de compostos e ensaios clínicos, o que acelera o tempo de desenvolvimento dos produtos. Trazer essa expertise para Feira de Santana vai elevar o patamar dos nossos laboratórios e permitir que a pesquisa acadêmica saia dos muros da universidade, potencializando novos conhecimentos para a sociedade”, destacou.
A expectativa da universidade é de que a possível cooperação gere impactos diretos para estudantes, pesquisadores e também para o desenvolvimento econômico da região.
Segundo Amali, a parceria poderá abrir portas para a internacionalização das carreiras acadêmicas por meio de intercâmbios, missões de trabalho e contato com a indústria global.
“Para estudantes e pesquisadores, abre-se uma porta muito importante para internacionalização das carreiras e das investigações científicas, através de intercâmbios, missões de trabalho e contato direto com a indústria global”, explicou.
Ela também ressaltou que o acordo poderá garantir cofinanciamento de projetos científicos, acesso a infraestrutura tecnológica avançada na Ásia e pesquisas colaborativas com cientistas chineses.
“A parceria viabiliza o cofinanciamento de projetos, acesso a infraestruturas tecnológicas avançadas e o desenvolvimento de pesquisas colaborativas diretamente integradas aos pesquisadores chineses, promovendo uma rica troca de conhecimento e sinergia acadêmica”, acrescentou.
Além disso, a reitora destacou a possibilidade de criação de vagas para pós-doutorado e ampliação de oportunidades acadêmicas ligadas à extensão universitária.
Após o encontro inicial, a universidade deve iniciar uma nova etapa de articulações para consolidar a parceria. Entre os próximos passos está a criação de um grupo de trabalho misto, formado por pesquisadores da Uefs e técnicos do parque chinês, para elaboração das primeiras propostas técnicas de pesquisa.
Paralelamente, a Assessoria de Relações Internacionais da instituição, em conjunto com a Agência de Inovação da universidade, deverá iniciar a elaboração de um memorando de entendimento e das estratégias de proteção intelectual e transferência de tecnologia.
“A expectativa é formalizar esse acordo de cooperação nos próximos meses para começarmos o intercâmbio de dados técnicos e as primeiras missões científicas”, revelou Amali.
A reitora ainda destacou que esta não é a primeira aproximação da Uefs com instituições chinesas. Segundo ela, no final do ano passado a universidade recebeu representantes da Universidade Normal de Hebei, fortalecendo o ensino da língua e da cultura chinesa.
“Hoje nós temos cursos de mandarim em diferentes níveis aqui na instituição. A relação entre a Uefs e a China veio para ficar”, concluiu.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim