As decisões evidenciam o crescente racha entre as direções partidárias e os integrantes das siglas que permanecem no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os partidos União Brasil e Progressistas (PP) anunciaram nesta quarta-feira (8) o afastamento dos ministros Celso Sabino, do Turismo, e André Fufuca, dos Esportes, respectivamente. As decisões evidenciam o crescente racha entre as direções partidárias e os integrantes das siglas que permanecem no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A Executiva Nacional do União Brasil decidiu afastar preliminarmente Celso Sabino de todas as funções que exercia na cúpula da legenda. O ministro perde, assim, o direito de participar das decisões partidárias. A medida vale até a conclusão de um processo interno que pode resultar na sua expulsão definitiva em até 60 dias. Além disso, o diretório estadual do partido no Pará, comandado por Sabino, será alvo de intervenção e passará a ser gerido por outra liderança.
O processo contra o ministro foi aberto no último dia 30 e o acusa de desrespeitar a orientação do partido para que filiados deixassem cargos no governo Lula. Apesar da pressão, Sabino declarou que continuará à frente da pasta até 2026, afirmando ter o apoio do presidente e da bancada paraense.
“Tenho confiança no diálogo com o Conselho de Ética do partido, mas o União Brasil tem tomado decisões equivocadas e açodadas”, declarou o ministro, que também ironizou o governador de Goiás e vice-presidente da legenda, Ronaldo Caiado, um de seus principais críticos. “Quando ele atingir 1,5% nas pesquisas, eu respondo ele”, disse.
Sabino participou recentemente de eventos com Lula em Belém (PA) e reafirmou seu apoio ao presidente. O ministro também sinalizou que pretende disputar o Senado nas eleições de 2026.
Mais cedo, o Progressistas (PP) adotou medida semelhante contra o ministro dos Esportes, André Fufuca (PP-MA), que foi afastado de todas as funções partidárias por descumprir a mesma determinação. Em nota oficial, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, anunciou intervenção no diretório do Maranhão, comandado por Fufuca, e reiterou que a legenda “não faz e não fará parte do atual governo”.
Tanto o PP quanto o União Brasil vinham pressionando seus ministros a deixar os cargos, mas a resistência de Fufuca e Sabino evidenciou a divisão interna nas siglas. As decisões desta quarta-feira reforçam o distanciamento das direções partidárias em relação ao Palácio do Planalto e expõem o desafio de Lula para manter o apoio de aliados dentro da base governista.