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Vacina contra HPV depois dos 45 anos: ginecologista explica o que mudou

Ampliação da vacinação contempla pessoas com lesões de alto grau relacionadas ao HPV, inclusive em faixas etárias acima dos 40 anos; especialista reforça que a vacina não substitui o acompanhamento ginecológico

Victória SilvaRedação: Victória Silva
sábado, 26 de setembro de 2026 às 07:02
Imagem de Vacina contra HPV depois dos 45 anos: ginecologista explica o que mudou

A vacinação contra o HPV voltou a ganhar destaque diante de mudanças nas recomendações para pessoas que tiveram lesões de alto grau relacionadas ao vírus. Durante o quadro Mulheres em Pauta, da Rádio Nordeste FM, a ginecologista Dra. Márcia Suely explicou as novas orientações e destacou a importância da imunização como estratégia de prevenção ao câncer.

Segundo a especialista, o HPV é um vírus capaz de atingir diferentes regiões do corpo, como colo do útero, vagina, vulva, ânus e região orofacial. A infecção está relacionada a diferentes tipos de câncer, principalmente o câncer do colo do útero.

Dra Marcia

Dra Marcia


“A coisa mais importante do vírus é que é um vírus que causa câncer. Câncer de vagina, câncer de colo, câncer de boca. E o câncer mais comum que ele causa é o câncer de colo de útero.”

A médica ressaltou que o câncer do colo do útero pode ser prevenido e identificado precocemente por meio da vacinação e do rastreamento adequado.

Vacina também é uma forma de prevenção contra o câncer

Questionada sobre por que a vacina contra o HPV deve ser vista também como uma vacina de prevenção ao câncer, Dra. Márcia explicou que a imunização é mais eficaz quando realizada antes do início da vida sexual, período em que a pessoa ainda não teve contato com o vírus.

“Ela é uma vacina que, se dada precocemente, quanto mais precoce, isto é, antes do início da atividade sexual, melhor ela vai ser. Porque ela vai prevenir não só a infecção, mas também o câncer de colo de útero, principalmente.”

A orientação é que meninos e meninas sejam vacinados na faixa etária indicada pelo calendário de vacinação. A ginecologista também destacou que a imunização não estimula o início da atividade sexual.

“Encarem isso, pais e mães, como a vacinação para qualquer outra coisa. Nós tomamos, por exemplo, a vacina da hepatite pequenininho também para prevenção. Então é a mesma coisa.”

Além da vacinação de rotina, existem indicações específicas para pessoas imunodeprimidas, como pacientes com HIV, transplantados e pessoas com determinados tipos de câncer.

O que mudou para quem já teve lesões relacionadas ao HPV

Um dos principais pontos abordados pela médica foi a utilização da vacina em pessoas que já tiveram lesões de alto grau associadas ao HPV.

De acordo com Dra. Márcia, pessoas que passaram por procedimentos para tratar lesões pré-malignas, como as classificadas como NIC 2 e NIC 3, podem ter indicação para receber a vacina.

“A vacina, além de fazer prevenção primária, evitar que você tenha infecção contra HPV, ela também é capaz, pelo menos os estudos estão mostrando isso, de evitar nas pessoas que já têm o vírus HPV o câncer.”

A especialista explicou que NIC 2 e NIC 3 são classificações utilizadas para identificar alterações celulares consideradas lesões pré-malignas. Elas ainda não são câncer, mas apresentam potencial de progressão para a doença.

“Elas não são câncer ainda, mas têm um alto potencial para virar câncer.”

Segundo a ginecologista, após a realização de cirurgia de alta frequência para retirada dessas lesões, a vacinação deve ser feita o mais próximo possível do tratamento, dentro do período recomendado.

Ela ressaltou ainda que a indicação relacionada a esse contexto não fica limitada à idade de 45 anos.

“O que é mais importante é que essa vacina não tem limite de idade. Isto é, se você teve uma lesão aos vinte, aos trinta, aos quarenta, aos cinquenta, aos sessenta anos, não importa.”

Ter HPV positivo não significa necessariamente precisar da vacina

Outro esclarecimento feito durante a entrevista foi sobre mulheres que apresentam resultado positivo para HPV.

A médica explicou que a simples presença do vírus não significa que a pessoa permanecerá infectada durante toda a vida. Na maioria dos casos, o organismo consegue eliminar o vírus espontaneamente.

“A maioria das mulheres que tem o vírus HPV vai ter transitoriamente, por um momento. O que faz o câncer de colo de útero é a persistência do vírus por muitos e muitos anos.”

Por isso, segundo Dra. Márcia, o diagnóstico de HPV positivo, isoladamente, não significa indicação automática para vacinação. A situação muda quando existem lesões de alto grau e a paciente precisa passar por tratamento específico.

Vacina não substitui o preventivo

A ginecologista também reforçou que mesmo as mulheres vacinadas precisam continuar realizando o acompanhamento ginecológico e o rastreamento do câncer do colo do útero.

“A vacina de HPV só previne a infecção do vírus. Isso não significa que você não tenha que fazer o rastreio do câncer de colo de útero.”

Ela alertou que a imunização deve ser encarada como parte da prevenção, mas não substitui exames e consultas.

“Vacina não substitui acompanhamento.”

Diferenças entre as vacinas disponíveis

Durante a entrevista, Dra. Márcia explicou que a vacina oferecida pelo SUS é a quadrivalente, protegendo contra quatro tipos de HPV considerados importantes para a prevenção do câncer do colo do útero.

Já no setor privado existe a vacina nonavalente, que amplia a proteção para nove tipos do vírus.

A médica lembrou que existem mais de 150 tipos de HPV, mas a vacinação é direcionada aos tipos considerados mais relevantes para a ocorrência de doenças.

“O que importa, na verdade, é a gente ter proteção contra os vírus que mais causam o câncer de colo de útero.”

Segundo a especialista, a vacina não funciona como um medicamento que elimina uma infecção já instalada. Ela estimula o sistema imunológico a desenvolver uma memória de proteção contra os tipos de HPV contemplados pela vacina.

Vacinação de crianças e adolescentes

Dra. Márcia aproveitou a entrevista para reforçar a importância da vacinação de meninos e meninas na idade recomendada.

“Vacine o seu filho. A vacina contra o HPV é uma prevenção contra câncer, gente. É a única vacina que previne contra câncer.”

Ela também chamou atenção para adolescentes que não receberam a vacina na idade inicialmente indicada, destacando a possibilidade de atualização da vacinação dentro das faixas previstas pelo Ministério da Saúde.

A médica ainda mencionou a recomendação de vacinação contra o HPV para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, situação que possui esquema específico de doses.

E quem tem 50, 60 anos?

Uma das ouvintes questionou se uma mulher de 61 anos, sem HPV, sem lesões e com exames preventivos normais, poderia tomar a vacina apenas como prevenção.

Nesse caso, a orientação dada pela ginecologista foi de que a vacinação não seria necessária apenas pela idade, quando não há lesão ou indicação específica.

“Se você tem 61 anos e não tem o vírus HPV, seu preventivo está normal, você não tem lesão NIC 2, NIC 3, você não precisa tomar a vacina.”

A especialista reforçou, porém, a importância de manter o acompanhamento ginecológico durante toda a vida.

Prevenção começa cedo e continua ao longo da vida

Dra. Márcia Suely deixou um alerta para as famílias e para as mulheres.

“Vocês mulheres de 40 anos não deixem de fazer seu preventivo, seja vacinada, sem vacinar, o preventivo é também uma maneira de fazer um diagnóstico precoce.”

A médica destacou que a prevenção do câncer do colo do útero envolve vacinação, acompanhamento médico e rastreamento adequado. Para crianças e adolescentes, a orientação é manter a vacinação em dia; para mulheres adultas, o acompanhamento ginecológico permanece fundamental.

“Informação também é cuidado”, reforçou a especialista durante a entrevista.

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