De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 5 mil produtos brasileiros terão imposto de importação zerado na União Europeia assim que o tratado entrar em vigor.
O acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia, após mais de 25 anos de negociações, deve abrir um amplo mercado para a indústria brasileira, com a eliminação de tarifas para milhares de produtos. A avaliação é do presidente do Centro das Indústrias de Feira de Santana (CIFS), o empresário Geraldo Pires, em entrevista ao Jornal do Meio Dia, da Rádio Princesa FM.
De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 5 mil produtos brasileiros terão imposto de importação zerado na União Europeia assim que o tratado entrar em vigor. Segundo a entidade, 54,3% dos produtos negociados no âmbito do acordo terão tarifa zero de forma imediata. Já do lado do Mercosul, o Brasil contará com prazos mais longos para a redução tarifária.
Atualmente, os acordos preferenciais de comércio dos quais o Brasil participa cobrem cerca de 8% das importações mundiais de bens. Com a entrada em vigor do acordo com a União Europeia, esse percentual deve subir para 36%, considerando que o bloco europeu respondeu por 28% do comércio global em 2024.
Para Geraldo, o acordo representa um avanço importante.
“Depois de 25 anos, esse acordo foi assinado, embora ainda precise da aprovação do parlamento europeu. A maioria dos 27 países aceitou, mas houve oposição de França, Polônia, Hungria, Irlanda e Áustria, além da abstenção da Bélgica”, explicou.
O empresário destacou que o acesso ampliado ao mercado europeu traz benefícios diretos para a indústria brasileira.
“O que tem de bom é o acesso ampliado ao mercado europeu para bens industriais. A redução tarifária, a maior previsibilidade regulatória, a integração em cadeias globais de valor e a atração de investimentos melhoram muito para as nossas indústrias”, afirmou.
Segundo ele, a abertura também estimula a modernização do parque industrial.
“Quando você tem um mercado tão desafiador, isso força as indústrias a investirem mais, a se adaptarem melhor para concorrer. A gente passa a ter acesso, por exemplo, a maquinário alemão, equipamentos de maior precisão e qualidade”, pontuou.
Apesar das oportunidades, Geraldo alertou para os riscos envolvidos.
“Há uma concorrência maior com produtos europeus de alto valor agregado, possibilidade de déficit em manufaturados e pressão sobre indústrias menos eficientes e de menor escala”, disse.
Outro ponto sensível são as exigências técnicas e ambientais da União Europeia.
“Certificações, adequação a padrões ISO e exigências de sustentabilidade podem significar investimentos de até dois milhões de reais só na implantação, sem contar software, mão de obra especializada e outros custos”, ressaltou.
Diante desse cenário, o presidente do CIFS defende apoio do poder público.
“Vai ser necessário um contraponto do governo, com financiamento para investimentos, redução de custos, incentivo à inovação, automação e qualificação da mão de obra. Tudo isso é muito caro para a indústria”, afirmou.
Geraldo também avaliou que o acordo com a União Europeia pode ajudar o Brasil a reduzir a dependência de mercados como o dos Estados Unidos, em meio às tensões comerciais recentes.
“O mundo é muito grande e a União Europeia é muito forte. Esse acordo abre um leque de oportunidades e evita que o Brasil fique dependente de um único país”, destacou.
Sobre o prazo de 10 a 15 anos para a redução tarifária de cerca de 44% dos produtos, o empresário considera o tempo longo, mas necessário.
“Às vezes parece longo, mas dois ou três anos é pouco. Esse prazo permite observar o mercado, se adaptar e avaliar se vale a pena investir tudo de imediato”, concluiu.
Para Geraldo, o acordo representa uma grande oportunidade para a indústria brasileira, desde que haja planejamento e apoio institucional.
“A gente tem que abraçar essa oportunidade e esperar que o governo ajude para que a indústria nacional consiga competir em igualdade”, finalizou.
