Especialista explica como o amor se transforma com a maturidade e as mudanças do corpo feminino
No clima do Dia dos Namorados, a ginecologista Dra. Márcia Suely chamou atenção para um tema cada vez mais presente nos consultórios e na vida das mulheres: o amor depois dos 40 anos. Segundo ela, essa fase traz transformações profundas não apenas no corpo, mas também na forma de viver os relacionamentos.
“Quando pensamos no Dia dos Namorados a gente imagina flores, presentes, jantares românticos, mas muda muita coisa quando a gente está com vinte, trinta, quarenta anos e depois dos quarenta muda ainda mais”, explicou.
De acordo com a médica, a maturidade redefine prioridades e expectativas.
“Aos vinte anos a gente pensa em um amor mais intenso, mais prazeroso, mais sexo. Aos quarenta, a gente pensa em um amor mais tranquilo, mais calmo, mais companhia, mais presença. Sexo sempre, claro, mas um sexo mais maduro, com mais qualidade e menos quantidade”, destacou.
A ginecologista ressalta que o climatério e a menopausa têm impacto direto na saúde e na vida afetiva das mulheres.
“Essas mulheres estão entrando em um período chamado climatério. O corpo muda, o sono muda, o desejo também muda, e existe uma adaptação importante”, afirmou.
Ela lembra que essas mudanças não significam o fim da vida sexual ou afetiva, mas uma nova forma de vivê-las.
“O amor aos quarenta é mais sereno, mais companheirismo, mais presença. E isso, muitas vezes, é até melhor do que na juventude”, avaliou.
Outro ponto destacado pela especialista é o aumento de mulheres que reconstroem suas vidas amorosas após separações ou perdas.
“Não só é possível como é muito interessante. Tenho vários casos de mulheres que recomeçaram um novo relacionamento aos quarenta, cinquenta, sessenta e até setenta anos”, contou.
Segundo ela, os recomeços podem ser positivos e leves.
“É um amor muito diferente e muito prazeroso do ponto de vista do bem-estar. Muitas vezes essas mulheres reencontram até antigos amores, e isso é mais comum do que se imagina”, disse.
Apesar das possibilidades, a médica aponta que muitas mulheres ainda enfrentam inseguranças ao iniciar novos relacionamentos nessa fase da vida.
“Os maiores medos estão relacionados ao corpo, à aparência, à comparação com relacionamentos anteriores e também ao medo da decepção”, explicou.
Ela acrescenta que experiências passadas podem influenciar.
“Muitas sofreram abusos psicológicos ou emocionais e têm receio de repetir essas situações em um novo relacionamento”, destacou.
Dra. Márcia também chama atenção para os efeitos das mudanças hormonais na saúde física e emocional.
“Os hormônios interferem em tudo: no sono, na energia, no peso, na libido e até no emocional. Há irritabilidade, nervosismo e até perda de memória, e tudo isso pode impactar o relacionamento”, afirmou.
Apesar disso, ela reforça que há tratamento e qualidade de vida nessa fase.
“O importante é procurar profissionais habilitados. Existe solução para melhorar esses sintomas e permitir que o relacionamento seja vivido de uma maneira saudável e plena”, concluiu.