Ozivy, da EMS, chega ao mercado após aprovação da Anvisa e marca entrada de versão sintética do princípio ativo usado em terapias para diabetes tipo 2
O mercado farmacêutico brasileiro passou a contar, a partir desta segunda-feira (15), com um novo medicamento para o tratamento do diabetes tipo 2. A farmacêutica EMS iniciou a venda do Ozivy, primeiro fármaco produzido no país com semaglutida sintética autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O medicamento integra o programa Vida + Leve, que oferece um kit com duas canetas multidose de 1 mg, suficiente para cerca de três meses de tratamento, ao custo de R$ 863,23 — média de aproximadamente R$ 287 por mês. Nas farmácias, as versões iniciais de 0,25 mg e 0,5 mg são vendidas por R$ 452 cada, enquanto a apresentação de 1 mg tem preço de R$ 497. A empresa também informou que, a partir de julho, deve ampliar a oferta com novas embalagens destinadas à manutenção da dose.
Segundo a EMS, o lançamento ocorre com um lote inicial de 500 mil canetas e faz parte de um plano de expansão que prevê produção anual de até 40 milhões de unidades. O investimento no projeto ultrapassa R$ 1,2 bilhão.
O Ozivy pertence à classe dos agonistas do GLP-1, a mesma categoria de medicamentos como o Ozempic. Sua ação simula o hormônio GLP-1 no organismo, estimulando a produção de insulina, retardando o esvaziamento do estômago e atuando no cérebro para reduzir o apetite. Estudos clínicos apontam que a substância pode gerar perda média de até 17,4% do peso corporal em 68 semanas de uso na dose mais alta analisada.
A aplicação é semanal, feita sempre no mesmo dia, podendo ser administrada no abdômen, coxa ou braço. Entre os efeitos colaterais mais relatados estão náusea, vômitos, diarreia, dor abdominal, tontura, cansaço e redução do apetite. Em alguns casos, também podem ocorrer hipoglicemia, especialmente quando combinada com outros medicamentos como insulina.
A chegada do Ozivy ao país foi viabilizada após o fim da patente da semaglutida, em março deste ano, o que abriu espaço para a produção de versões genéricas ou similares da substância. A Anvisa autorizou a comercialização em maio, e a produção passou a ser realizada na unidade da EMS em Hortolândia (SP), ampliando a oferta de tratamentos baseados nesse princípio ativo no Brasil.