Fisioterapeuta destaca riscos de acidentes durante os festejos juninos e reforça a importância da prevenção e da reabilitação em casos graves
Com a chegada dos festejos juninos, período marcado por fogueiras, fogos de artifício e confraternizações familiares, aumenta também a preocupação com os casos de queimaduras. Em entrevista, o fisioterapeuta Vinícius Oliveira, da Reabserv, chamou a atenção para os riscos mais comuns nesta época do ano e destacou medidas que podem evitar acidentes graves.
Segundo o especialista, os acidentes envolvendo fogos de artifício, fogueiras e até situações domésticas tendem a crescer durante o período junino, principalmente porque muitas crianças estão em férias escolares e passam mais tempo em casa.
“É uma época muitíssimo importante para a gente jogar luz no tema da prevenção. Vemos muitos queimados com fogos de artifício, fogueiras, acendimento de churrasqueiras e também acidentes domésticos envolvendo panelas, água quente e o uso inadequado do álcool para acender fogueiras”, explicou.
Vinícius alertou ainda para os riscos relacionados ao manuseio de fogos por crianças. Segundo ele, um dos acidentes mais frequentes ocorre quando o artefato não explode imediatamente e a criança tenta recolhê-lo.
“Muitas vezes uma criança solta uma bomba, ela não explode, e quando vai tentar recuperar o artefato ele explode na mão. Temos situações que podem causar até perda de membros”, ressaltou.
O fisioterapeuta também destacou que idosos, pessoas com mobilidade reduzida ou com problemas de equilíbrio devem evitar permanecer próximos às fogueiras.
“Pacientes que têm fraqueza ou desequilíbrio precisam se afastar das fogueiras para evitar quedas e acidentes mais graves nessa época do ano”, afirmou.
Entre as recomendações, Vinícius defende que materiais inflamáveis sejam mantidos longe do alcance de crianças e utilizados apenas por adultos responsáveis.
“O primeiro cuidado é evitar que esses materiais inflamáveis fiquem expostos. O manuseio deve ser feito por adultos responsáveis e com experiência. Também não se deve utilizar álcool para acender fogueiras”, orientou.
Ele lembra que atualmente existem produtos específicos para facilitar o acendimento sem a necessidade do uso de substâncias perigosas.
“Hoje existem alternativas vendidas em supermercados que permitem acender a fogueira com mais segurança. O principal é prevenir. Se não for possível evitar completamente o uso de fogos, que pelo menos sejam utilizados por pessoas responsáveis e nunca por crianças”, destacou.
Vinícius explicou que a gravidade da queimadura não depende apenas da profundidade da lesão, mas também da região atingida.
“Uma queimadura de primeiro grau pode ser apenas uma vermelhidão na pele. Mas uma coisa é ter uma vermelhidão na mão, outra é ter no rosto inteiro. Mesmo uma queimadura de primeiro grau no rosto já merece avaliação médica”, explicou.
O especialista acrescentou que queimaduras de segundo grau, caracterizadas pelo surgimento de bolhas, também exigem atenção.
“Quando aparecem aquelas bolhas, que tecnicamente chamamos de flictenas, e elas são extensas, já é recomendável procurar atendimento especializado”, afirmou.
Nos casos mais graves, como queimaduras de terceiro grau, o atendimento deve ser imediato.
“Quando há comprometimento de músculos, tendões e até carbonização do membro, é necessário acionar o Samu, os bombeiros ou procurar imediatamente uma unidade de saúde para uma avaliação médica adequada”, alertou.
Além dos danos físicos imediatos, queimaduras graves podem deixar sequelas que comprometem movimentos, sensibilidade e qualidade de vida dos pacientes.
Vinícius explicou que o tratamento fisioterapêutico começa ainda no ambiente hospitalar e pode se estender por meses após a alta.
“Uma queimadura pode causar lesões respiratórias pela inalação de fumaça, além de lesões neurológicas, musculares e tendíneas. A pele também possui funções sensoriais importantes e pode sofrer limitações após o processo de cicatrização”, explicou.
Segundo ele, sem intervenção precoce, podem surgir retrações e enrijecimentos que dificultam movimentos simples do dia a dia.
“Quando a pele enrijece após uma queimadura, o paciente pode perder movimentos das mãos, dos punhos e de outras regiões do corpo. A fisioterapia atua desde a fase emergencial, na UTI e durante a recuperação, ajudando na readaptação e no retorno às atividades diárias e ao trabalho”, concluiu.