Coronel também descartou qualquer possibilidade de reaproximação com a base governista
Em visita aos municípios de Santo Estêvão e Ipecaetá, na região metropolitana de Feira de Santana, o senador Ângelo Coronel confirmou que deve anunciar, logo após o Carnaval, a nova sigla partidária pela qual pretende disputar as eleições de 2026. Coronel deixou recentemente o PSD.
Questionado sobre a definição do novo destino partidário, o senador afirmou que as articulações seguem em curso, envolvendo não apenas seu nome, mas também lideranças que o acompanham.
“Nós vamos discutindo. Estou indo para Brasília na segunda-feira. Acredito que até após o Carnaval a gente já esteja com a nova sigla acertada. Porque não é somente Ângelo Coronel senador. São deputados federais, deputados estaduais que vão ingressar na nova sigla. Nós temos que ter a responsabilidade de ver um partido que venha acolher as nossas lideranças e que todos fiquem confortáveis nessa nova legenda”, declarou.
Coronel também descartou qualquer possibilidade de reaproximação com a base governista, após ter rompido com o grupo político ao qual esteve ligado nos últimos anos. Segundo ele, a decisão é definitiva.
“Isso não existe. Já foi definido. Pelo momento que me foi negada a condição de disputar a reeleição pelo partido que eu ajudei a fundar, não me vejo mais no direito de nem pensar em retornar à base. Não existe a menor possibilidade. Tomei a minha decisão: sair do PSD e ingressar numa nova sigla para ter um novo caminho na minha vida pública, que já tem quarenta anos”, afirmou.
Apesar do rompimento, o senador disse que não pretende fazer ataques pessoais aos antigos aliados. “Jamais vou falar mal de nenhum membro com quem convivi esse tempo. Seria leviano e ingrato. Onde eu encontrá-los, vou abraçá-los. Agora, posso votar contrário”, pontuou.
Mesmo fora do PSD, Coronel afirmou manter forte presença nos municípios baianos e destacou seu perfil municipalista. Segundo ele, possui acesso direto à grande maioria das cidades da Bahia.
“Dos 417 municípios da Bahia, só tem seis que a gente não conseguiu ainda ter acesso direto. A grande maioria, mesmo formando a base do atual governador, vai lembrar que Coronel é municipalista, é quem cuida dos municípios. Eu não sou senador de ficar sentado em cadeira. Trabalho para atender as demandas das prefeituras. Porque tudo acontece nas prefeituras”, ressaltou.

O senador reforçou que sua trajetória política foi construída com apoio de prefeitos e vereadores. “Eu estou senador porque os prefeitos e os vereadores me elegeram. O municipalismo é a célula da política. Uma mulher vai parir, procura o vereador, procura o prefeito. Ninguém procura o senador ou o presidente da República”, exemplificou.

Conversas com grupo de ACM Neto
Sobre a possibilidade de ingressar formalmente no grupo do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, Coronel confirmou que as conversas estão em andamento, mas ainda sem anúncio oficial.
“Acredito que até o final do mês, logo após o Carnaval, a gente vai definir esse cronograma. Estamos na fase das conversas e dos ajustes. Não é só Coronel, é um grupo. E esse grupo precisa ser ouvido. Eu não tomo decisões unilaterais”, frisou.
Questionado sobre declarações de integrantes do PT de que ele já faria parte da oposição, o senador disse não dar importância às críticas e avaliou que sua movimentação política teve grande repercussão.
“Subestimaram a nossa condição política. Achavam que porque em 2018 eu recebi ajuda do PT para chegar ao Senado, ficaria eternamente ligado. Mas a política é dinâmica. Graças a Deus, conseguimos tomar vida própria”, afirmou.
Zé Ronaldo como possível vice
Durante a visita, Coronel também comentou a possibilidade de o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, compor como vice em uma eventual chapa encabeçada por ACM Neto. Para ele, trata-se de uma decisão que cabe exclusivamente ao prefeito.
“Zé Ronaldo é um ícone da política baiana. Seria um nome muito forte para compor chapa. Agora, isso é uma decisão que só cabe a ele. Ele é quem conhece Feira de Santana, cinco vezes prefeito. Só ele pode avaliar se é vantajoso deixar a Prefeitura para disputar outro cargo”, destacou.


*Com informações do repórter André Silva