Audiência pública discutiu impactos da reforma administrativa e propostas para garantir mais qualidade de vida aos trabalhadores
A Câmara Municipal de Feira de Santana realizou, nesta quinta-feira (7), uma audiência pública para discutir a PEC 38/2025 e o fim da escala 6x1. O encontro reuniu representantes sindicais, movimentos sociais, trabalhadores, parlamentares e especialistas para debater os impactos da reforma administrativa e a proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil.
Presidindo a audiência, o vereador Silvio Dias afirmou que o debate foi construído coletivamente com sindicatos, organizações sociais e trabalhadores. Segundo ele, a reforma administrativa representa riscos ao serviço público e à garantia de direitos.
“É uma reforma danosa ao serviço público, que retira direitos e garantias que visam proteger e tornar o serviço público forte e não alvo de ingerência política”, declarou.

O vereador criticou o modelo de terceirização adotado em Feira de Santana e afirmou que a população tem enfrentado dificuldades para acessar serviços básicos.
“Hoje, quem precisa de um exame muitas vezes tem que procurar um político para conseguir atendimento. Isso mostra o caos provocado pela terceirização indiscriminada”, disse.
Silvio Dias também destacou a importância do debate sobre o fim da escala 6x1 e a implantação da escala 5x2 com jornada de 40 horas semanais. Para ele, a medida representa mais dignidade e qualidade de vida aos trabalhadores.
“É inadmissível que, no século XXI, as pessoas vivam apenas para trabalhar. Pai e mãe não conseguem acompanhar os filhos porque o tempo é tomado pelo trabalho e pelo deslocamento”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a mudança pode gerar novos postos de trabalho e fortalecer a economia.
“A escala cinco por dois vai abrir vagas, principalmente para os jovens que têm dificuldade de entrar no mercado. Mais gente trabalhando significa mais renda circulando e mais consumo”, pontuou.
O deputado federal Zé Neto também participou da audiência e declarou apoio ao fim da escala 6x1, destacando que o tema já é debatido pelo Governo Federal e pelo Congresso Nacional.

“O mundo mudou, os conceitos são outros, principalmente com relação às mulheres, que são as mais exigidas nas escalas de trabalho e as mais sofridas”, afirmou.
Segundo o deputado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defendem a redução da jornada sem perda salarial.
“O objetivo é garantir melhor qualidade de vida, melhor produtividade e melhores condições de trabalho para as pessoas, principalmente para as mulheres”, disse.

Zé Neto explicou que a proposta está em tramitação na Câmara Federal e que a expectativa é de avanço ainda neste semestre.
“O presidente da comissão pretende concluir o relatório até o fim de maio. Depois, o texto será votado no plenário da Câmara e, posteriormente, seguirá para o Senado”, informou.
O parlamentar ressaltou ainda que o debate precisa considerar as transformações no mundo moderno e os impactos do deslocamento urbano na vida dos trabalhadores.
“O trabalho está mais tenso, mais exigente. O transporte coletivo ainda é deficiente em grande parte do país. Precisamos criar uma nova dimensão de trabalho para o Brasil”, destacou.
O economista e professor Antônio Rosevaldo defendeu que a redução da jornada pode impulsionar a economia e ampliar a circulação de renda.

“Quando se contrata um empregado a mais, esse salário volta para o comércio. Esse dinheiro circula e gera lucro para as empresas”, explicou.
Rosevaldo comparou a resistência à mudança com debates históricos sobre direitos trabalhistas.
“Diziam que o décimo terceiro iria quebrar a economia. Hoje o comércio vive substancialmente do décimo terceiro”, afirmou.
Para o economista, Feira de Santana também pode desenvolver novos setores econômicos ligados ao entretenimento e ao lazer caso a população tenha mais tempo livre.
“Hoje muita gente reclama que não há lazer na cidade, mas as pessoas não têm tempo para usufruir. O trabalhador passa horas no deslocamento e chega ao fim de semana apenas tentando descansar”, observou.
Ele ainda destacou os impactos da rotina excessiva na saúde mental dos trabalhadores.
“O acúmulo de trabalho provoca desgaste físico e mental. O índice de adoecimento mental é muito grande”, alertou.
Antônio Rosevaldo defendeu o diálogo entre empresários e trabalhadores para a construção de soluções.
“A implantação precisa passar pelo diálogo. Quando houver disposição para conversar de forma sincera, será possível encontrar caminhos sem prejudicar a economia”, concluiu.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim