24/07/2026
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Banco Central eleva projeção do PIB para 2%, mas economista alerta para desafios fiscais e crescimento limitado

Gesner Brehmer avalia que crescimento foi impulsionado pelo agronegócio, mercado de trabalho aquecido e estímulos do governo, mas aponta riscos para 2027

Victória SilvaRedação: Victória Silva
Isabel BomfimReportagem: Isabel Bomfim
segunda-feira, 29 de junho de 2026 às 10:06
Imagem de Banco Central eleva projeção do PIB para 2%, mas economista alerta para desafios fiscais e crescimento limitado
Marcello Casal JrAgência Brasil

O Banco Central elevou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, conforme divulgado no Relatório de Política Monetária. A revisão foi motivada pelo desempenho acima do esperado da economia no primeiro trimestre, quando o país registrou crescimento de 1,1% em relação ao último trimestre de 2025.

Para o economista e mestre em Planejamento Territorial pela UEFS, Gesner Brehmer, o resultado positivo foi impulsionado principalmente pela agropecuária, pela recuperação da indústria extrativa e por medidas de estímulo fiscal adotadas pelo governo federal.

“A surpresa positiva no crescimento já do primeiro trimestre da economia brasileira e o desempenho extremamente favorável da agropecuária foram determinantes para essa revisão. Também houve uma melhora da indústria extrativa e medidas de estímulo fiscal que estimularam esse crescimento e essa projeção de surpresa produtiva”, afirmou.

Mercado de trabalho fortalece consumo

Segundo Brehmer, outro fator importante destacado pelo Banco Central é a resiliência do mercado de trabalho, com taxas de desemprego próximas das mínimas históricas, o que tem sustentado o consumo das famílias.

“Quando o desemprego está em níveis muito baixos, as famílias têm mais poder de consumo. Isso fortalece a demanda interna e ajuda a explicar o crescimento acima do esperado no primeiro trimestre”, explicou.

Apesar do avanço da economia, o economista ressalta que o crescimento ocorre em um ambiente de juros elevados e de incertezas externas, especialmente em função das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Juros altos são um sintoma, diz economista

A taxa Selic foi reduzida recentemente para 14,25% ao ano, mas ainda permanece em um dos patamares mais altos do mundo. Para Gesner Brehmer, os juros elevados continuam restringindo o crédito e limitando o crescimento futuro.

“Quanto mais alta for a Selic, mais custosos ficam empréstimos e financiamentos. Isso já gera uma restrição na economia e reduz as projeções de crescimento para os próximos anos”, afirmou.

O economista, no entanto, argumenta que os juros não são a causa principal dos problemas econômicos.

“A taxa de juros alta não é uma doença, e sim um sintoma. Ela reflete políticas fiscais que geraram uma dívida pública muito elevada e aumentaram a pressão inflacionária”, declarou.

Crescimento limitado e ajuste fiscal em 2027

Brehmer avalia que, sem reformas estruturais, o Brasil tende a crescer em torno de 2% ao ano nos próximos anos.

“Caso não haja uma reforma fiscal bastante robusta, atrelada a outras reformas econômicas, a tendência é de uma economia crescendo no máximo 2% ao ano”, disse.

Ele prevê ainda um cenário mais difícil em 2027, independentemente do resultado das eleições presidenciais.

“Vai ser um ano de ajuste na casa. Seja qual for o governo eleito, haverá necessidade de um forte ajuste fiscal para reorganizar a economia e permitir crescimento sustentável nos anos seguintes”, avaliou.

Ano eleitoral dificulta reformas

Na análise do economista, 2026 será um ano atípico por causa das eleições, o que reduz o espaço político para medidas estruturais.

“Governos que buscam a reeleição costumam adotar medidas de estímulo de curto prazo para melhorar a percepção do consumidor. Isso ocorre agora também, com programas de renegociação de dívidas e outras iniciativas voltadas ao consumo”, afirmou.

Segundo ele, essas ações têm impacto fiscal e podem aumentar as pressões inflacionárias.

“O governo acelera os gastos e o Banco Central pisa no freio com juros altos. Esse descompasso entre política fiscal e política monetária torna o cenário econômico bastante desafiador”, concluiu.

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