Ex-presidente foi ouvido pela Polícia Civil do DF em investigação que apura circunstâncias da apreensão de arma registrada em seu nome durante uma abordagem policial
O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal na tarde desta terça-feira (23) no âmbito da investigação que apura a apreensão de uma arma de fogo registrada em seu nome durante uma blitz realizada na semana passada.
A oitiva ocorreu no condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. O delegado Thiago Boeing, responsável pelo caso na 17ª Delegacia de Polícia, chegou ao local por volta das 14h30 e deixou a residência cerca de 40 minutos depois. O advogado Paulo Cunha Bueno acompanhou todo o depoimento.
De acordo com a defesa, Bolsonaro reafirmou a versão já apresentada anteriormente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ex-presidente, ele teria solicitado a um integrante da segurança presidencial apenas que verificasse o funcionamento de uma pistola Glock calibre 9 milímetros após perceber possíveis falhas no equipamento.
Ainda conforme relatado pelo advogado, Bolsonaro negou ter determinado que a arma fosse retirada do condomínio para passar por manutenção. Segundo ele, o pedido se restringia à averiguação das condições de uso da pistola.
Paulo Cunha Bueno também avaliou que o episódio não deverá influenciar uma eventual análise do ministro Alexandre de Moraes sobre a manutenção ou prorrogação da prisão domiciliar, argumentando que as medidas cautelares impostas ao ex-presidente não incluíam a entrega de armas registradas em seu nome.
A arma foi encontrada durante uma fiscalização policial em um veículo conduzido por um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que integra a equipe de segurança de Bolsonaro. Apesar de estar regularmente registrada, a pistola foi apreendida porque não estava acompanhada da documentação exigida para o transporte.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal, com acompanhamento do Supremo Tribunal Federal. As autoridades apuram se houve apenas uma irregularidade administrativa relacionada à ausência do certificado de registro ou se os fatos podem configurar infração prevista no Estatuto do Desarmamento.
A legislação estabelece punição para o transporte e a posse de arma de fogo em desacordo com exigências legais e regulamentares, podendo resultar em pena de três a seis anos de prisão, além de multa, caso seja caracterizada a prática criminosa.
*Com informações g1