Ministro afirma que governo busca evitar novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, mas descarta concessões que possam afetar a produção nacional de etanol.
O governo federal segue em diálogo com os Estados Unidos na tentativa de impedir a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A informação foi confirmada nesta terça-feira (7) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que destacou o avanço das conversas entre representantes dos dois países.
Segundo o ministro, técnicos brasileiros e norte-americanos participaram de uma reunião ao longo do dia e existe a expectativa de um novo encontro com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes da definição que deve ser anunciada pelo governo norte-americano na próxima semana.
Apesar do esforço diplomático, Márcio Elias Rosa deixou claro que o Brasil não pretende negociar mudanças na tarifa aplicada ao etanol importado dos Estados Unidos. De acordo com ele, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é preservar a indústria sucroenergética brasileira e evitar qualquer medida que prejudique o setor.
O tema ganhou destaque após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defender, durante audiência realizada em Washington, um acordo para eliminar as tarifas de importação de etanol e açúcar entre os dois países. O parlamentar argumentou que o atual modelo tarifário é desequilibrado e sugeriu a adoção de alíquota zero para ambos os mercados.
Atualmente, o Brasil cobra 18% de imposto sobre o etanol norte-americano, enquanto os Estados Unidos aplicam uma tarifa básica de 2,5% sobre o produto brasileiro.
Sem mencionar diretamente o senador, o ministro criticou propostas que possam abrir o mercado brasileiro ao combustível estrangeiro. Segundo ele, essa medida teria impactos negativos principalmente sobre os produtores instalados na região Nordeste, onde a atividade representa importante fonte de emprego e renda.
Márcio Elias Rosa também ressaltou que qualquer debate envolvendo o etanol deveria considerar igualmente as restrições impostas pelos Estados Unidos ao açúcar brasileiro, que enfrenta sobretaxas para acessar o mercado norte-americano.