Decisão afeta vendas de carne bovina e de frango
A União Europeia atualizou na terça-feira (12) a lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco e retirou o Brasil da relação de nações que cumprem integralmente as exigências sanitárias. A decisão passa a valer no dia 3 de setembro e afeta diretamente frigoríficos e exportadores brasileiros.
Segundo o bloco europeu, o Brasil não apresentou garantias consideradas suficientes sobre o controle e a não utilização de antimicrobianos na pecuária, prática que inclui o uso de determinados medicamentos proibidos na União Europeia, especialmente aqueles utilizados como promotores de crescimento animal.
Com a mudança, embarques de carne bovina, de frango e outros produtos de origem animal ficam ameaçados, gerando forte preocupação no setor do agronegócio.
De acordo com dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a União Europeia importou em 2025 cerca de 368,1 mil toneladas de carnes brasileiras, movimentando aproximadamente US$ 1,8 bilhão.
No mesmo período, as exportações brasileiras para o bloco incluíram US$ 1,048 bilhão em carne bovina e US$ 762,9 milhões em carne de frango. A UE é o segundo maior destino da carne brasileira em valor, atrás apenas da China.
Com a exclusão do Brasil da lista sanitária, o agronegócio pode sofrer impacto estimado em até US$ 2 bilhões por ano.
O economista Gesner Brehmer avalia que a decisão pode ter também motivações comerciais e geopolíticas.
“Essa decisão da União Europeia vem carregada de polêmica, principalmente após acordos recentes de livre comércio. Isso pode ser interpretado como uma barreira não tarifária, ou seja, um instrumento usado para restringir importações e proteger a produção interna”, afirmou.
Ele explica que esse tipo de medida é comum no comércio internacional.
“Essas barreiras não tarifárias são utilizadas para limitar a entrada de produtos estrangeiros e favorecer produtores locais. No curto prazo, isso pode gerar perda de exportações brasileiras e impacto relevante no valor agregado”, disse.
Segundo o economista, o impacto pode chegar a US$ 2 bilhões por ano, mas também pode ter efeitos internos.
“Com a redução das exportações, parte da carne que iria para fora pode ficar no mercado interno, aumentando a oferta e pressionando os preços para baixo no Brasil”, avaliou.
Apesar do impacto, Gesner acredita que a medida pode ser temporária e usada como instrumento de negociação entre os blocos.
“Me parece uma medida de curto prazo, porque o Brasil é reconhecido internacionalmente pelo cumprimento das regras sanitárias. Isso pode ser parte de uma estratégia para futuras negociações ou revisão de acordos em condições mais favoráveis à União Europeia”, concluiu.
*Com informações do repórter Rafael Marques