Em carta enviada ao governo norte-americano, Itamaraty contesta investigação comercial e critica possibilidade de novas sanções sobre exportações brasileiras
O governo brasileiro formalizou sua reação à proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos nacionais. Em carta encaminhada ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira contestou os fundamentos da investigação que embasa a medida.
No documento, o Itamaraty sustenta que as conclusões apresentadas pelas autoridades norte-americanas carecem de fundamentação técnica e desconsideram as informações fornecidas pelo Brasil durante o processo. Segundo a avaliação do governo brasileiro, a investigação apresenta interpretações equivocadas e critérios considerados arbitrários.
A carta também reforça o entendimento de que ações comerciais unilaterais baseadas na Seção 301 da legislação dos Estados Unidos não estão em conformidade com as normas que regem o sistema multilateral de comércio, defendido por diversos países nas relações internacionais.
Além de rejeitar a justificativa para a possível taxação, o Brasil afirma que eventuais divergências entre os dois países devem ser resolvidas por meio de negociações diplomáticas e cooperação institucional, evitando a adoção de medidas que possam prejudicar o comércio bilateral.
Na correspondência, Mauro Vieira destaca que temas relacionados à legislação interna e aos mecanismos de fiscalização devem ser debatidos em ambiente de diálogo entre as nações, em vez de resultar em restrições comerciais. Para o governo brasileiro, a cooperação internacional representa o caminho mais adequado para solucionar eventuais impasses.