Empresário defende cooperação internacional no combate às facções, critica sistema penal brasileiro e aponta distorções nas prioridades da gestão pública.
O empresário feirense Carlos Medeiros comentou a recente decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e defendeu maior cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado.
Para ele, cada país tem autonomia para definir esse tipo de classificação, mas o ideal seria uma atuação conjunta.
“Cada país tem autonomia para classificar como terrorista a organização que lhe convier”, afirmou.
Medeiros defendeu que o Brasil adote uma postura mais colaborativa com outras nações no combate às facções.
“O Brasil tem que falar: ‘vamos fazer junto, me ajuda aqui’. Tem que fazer parte da solução”, disse.
Ele também reforçou seu entendimento de que a atuação dessas organizações justifica a classificação mais dura.
“Se isso não for uma organização terrorista, o que é?”, questionou.
Na avaliação do empresário, há no país uma tendência de minimizar a gravidade do crime organizado, o que ele chamou de “romantização da bandidagem”.
“Fico muito preocupado quando vejo essa romantização da bandidagem”, declarou.
Ele também criticou o tratamento dado ao sistema prisional e a forma como o debate sobre direitos humanos é conduzido.
“O traficante não pode ser tratado como vítima. E onde fica o direito humano das vítimas?”, afirmou.
Medeiros defendeu ainda mudanças na legislação penal brasileira.
“Tem que ter uma revisão dura, acabar com essas saídas temporárias e rever a progressão de pena”, pontuou.
O empresário encerrou suas avaliações criticando o que considera uma inversão de prioridades no país, tanto no debate público quanto na gestão de recursos.
“Na hora que você começa a comparar bandido com polícia, isso pra mim é uma total inversão de valor”, disse.
Ele também questionou o uso de recursos públicos.
“Não falta dinheiro para saúde, educação e segurança. O que existe é excesso de má gestão”, afirmou.
Como exemplo, citou o contraste entre investimentos em eventos e demandas básicas da população.
“Como não tem dinheiro para exames e consultas, mas tem para pagar cachê de banda? Isso é inversão de valor”, concluiu.