Entidade sul-americana demonstra preocupação com articulações internas da federação internacional e defende diálogo antes das eleições de 2027
A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) afirmou nesta quinta-feira (6) que acompanha com atenção os movimentos relacionados à eleição presidencial da Fifa. A entidade aprovou a retirada do projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), iniciativa comercial que buscava a entrada de investidores privados, mas reforçou que as decisões sobre o futuro do futebol precisam seguir os princípios democráticos e os regulamentos da organização.
O atual presidente da Fifa, Gianni Infantino, anunciou em abril que tentará permanecer no comando da entidade. O dirigente suíço conta com o apoio declarado da Conmebol, da Confederação Asiática de Futebol (AFC) e da Confederação Africana de Futebol (CAF), grupos que juntos representam 111 votos no congresso da federação, número considerado estratégico para uma possível vitória.
A criação da FFE, porém, provocou divergências entre importantes confederações. A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) foi uma das principais críticas ao projeto e chegou a ameaçar boicotes a competições organizadas pela Fifa. A Concacaf e a AFC também demonstraram resistência à proposta. Após o desgaste, a Uefa passou a defender publicamente uma mudança na liderança da entidade, enquanto o presidente da Concacaf, Victor Montagliani, aparece como possível nome de oposição.
Em comunicado oficial, a Conmebol destacou que a escolha do presidente da Fifa deve ocorrer exclusivamente por meio do congresso da entidade e afirmou que não apoiará medidas que contrariem os estatutos da federação. A confederação sul-americana também ressaltou a importância do diálogo entre as partes e da busca por soluções dentro dos mecanismos oficiais do futebol internacional.
Pelas regras da Fifa, um presidente pode cumprir até três mandatos consecutivos. Infantino, no entanto, argumenta que sua primeira passagem pelo cargo, iniciada em 2016 após a saída de Joseph Blatter em meio a denúncias de corrupção, deve ser considerada como um período excepcional.
O prazo para registro das candidaturas termina em 18 de novembro. A eleição está marcada para 18 de março de 2027, em Rabat, no Marrocos. Ao todo, 211 federações filiadas terão direito a voto, e, caso haja apenas dois candidatos, será eleito quem conquistar a maioria absoluta dos votos.