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Coordenador do IBGE Feira explica como o Censo 2022 levantou dados inéditos sobre autismo

Censo 2022 identificou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo no país

Por Rafa
segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026
 Foto: Roberto Dziura Jr/AEN-PR
Foto: Foto: Roberto Dziura Jr/AEN-PR

O Censo Demográfico 2022 trouxe uma novidade histórica ao incluir, pela primeira vez, dados sobre pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. De acordo com os resultados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,4 milhões de pessoas declararam ter recebido diagnóstico médico de autismo, o que corresponde a 1,2% da população brasileira.

Os dados mostram que a prevalência é maior entre os homens, que representam 1,4 milhão de diagnósticos (1,5%), enquanto entre as mulheres são 1 milhão (0,9%).

Segundo o Coordenador da Agência do IBGE em Feira de Santana, Thiago Pimentel, o Censo é a pesquisa mais abrangente realizada pelo instituto e vai muito além da simples contagem populacional.

“O Censo é quando a gente vai a todos os domicílios com o objetivo de coletar não só a quantidade da população, mas também informações sobre trabalho, rendimento, educação, cor da pele, idade, sexo, fecundidade e, em 2022, pela primeira vez, incluímos o quesito sobre autismo”, explicou.

De acordo com o IBGE, o dado sobre autismo foi coletado por meio de declaração do informante do domicílio, que respondia se algum morador havia recebido diagnóstico médico por um profissional de saúde. Não era exigida apresentação de laudos ou documentos.

“A gente perguntava ao informante se alguma pessoa da residência teve diagnóstico médico de autismo. Foi um quesito autodeclaratório. O IBGE trabalha com a confiança que deposita na população, da mesma forma que a população confia na gente”, destacou.

Ele comparou o procedimento ao quesito cor ou raça, que também é declarado pela própria pessoa.

“Não é o agente do IBGE que olha para a pessoa e define. É a própria pessoa quem declara”, reforçou.

Os resultados do Censo mostram que a maior proporção de diagnósticos está entre crianças de 5 a 9 anos, faixa etária em que 2,6% foram identificadas com TEA. Para o IBGE, o dado pode refletir avanços no diagnóstico precoce e maior conscientização sobre o transtorno.

Apesar do alcance nacional da pesquisa, Thiago Pimentel pondera que o IBGE não avalia a qualidade clínica dos diagnósticos informados.

“É difícil dizer sobre a acurácia desses diagnósticos, se foram bem feitos ou se carecem de algum detalhe. O papel do IBGE se limita a realizar a entrevista e registrar fielmente as respostas da população”, afirmou.

Em termos regionais, a variação na prevalência do diagnóstico foi pequena. O Centro-Oeste apresentou a menor taxa, com 1,1% da população, enquanto as demais regiões registraram cerca de 1,2%.

Já em números absolutos, o Sudeste concentra a maior quantidade de pessoas diagnosticadas, com pouco mais de 1 milhão, seguido pelo Nordeste (633 mil), Sul (348,4 mil), Norte (202 mil) e Centro-Oeste (180 mil).

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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