Titular da Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI) chamou atenção para a necessidade de fortalecer o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes
A delegada titular da Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI) de Feira de Santana, Clécia Vasconcelos, utilizou a tribuna da Câmara Municipal nesta quinta-feira (14) para alertar sobre o avanço dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes e reforçar a mobilização para o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil, celebrado em 18 de maio.
A delegada destacou dados preocupantes sobre a violência sexual no país e a realidade vivida em Feira de Santana. Segundo ela, o crescimento dos casos exige mobilização de toda a sociedade e ações mais efetivas de prevenção.

“Seis casos por dia de estupro acontecem no Brasil e Feira de Santana está nessa perspectiva. Quando, numa semana, nós atendemos 13 casos de pedofilia, alguma coisa está errada e a gente precisa frear esse negócio”, alertou.
A delegada ressaltou ainda que o enfrentamento à violência sexual não deve ser tratado apenas como uma pauta policial, mas como um problema social que precisa envolver famílias, escolas, gestores públicos e a comunidade.
“A mídia, a sociedade, precisam entender que a violência sexual está acontecendo e crescendo, e isso precisa ser barrado. A gente fala em combate ao feminicídio, mas esse menino que vive no ambiente de violência é ele que, futuramente, pode cometer esse crime. A gente precisa agir na base, e a base está na família”, afirmou.
Como parte das ações de conscientização, Dra. Clécia anunciou a realização de uma manifestação na próxima segunda-feira (18), data do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O ato acontecerá no estacionamento da Prefeitura de Feira de Santana, das 8h ao meio-dia, com o objetivo de sensibilizar a população para a gravidade do problema.
“O manifesto é para chamar a atenção desse grave problema, chamar atenção do pai, da mãe, do avô, da tia, do responsável legal, dos educadores, dos gestores da educação e dos próprios adolescentes para que consigam se enxergar enquanto vítimas”, explicou.
A delegada também destacou a complexidade dos casos envolvendo violência sexual infantil, especialmente pelo fato de a maioria das ocorrências acontecer dentro do ambiente familiar ou próximo a ele.
“Hoje eu não posso dizer para uma criança ou adolescente simplesmente sair de casa. Ela vai para onde? É uma realidade muito mais dura e covarde, porque no ambiente onde deveria estar protegida é onde mais acontece a violência. Setenta por cento dos casos são cometidos por alguém próximo da família”, pontuou.
Dra. Clécia reforçou a necessidade de indignação coletiva e da criação de políticas públicas mais eficazes para combater o abuso e a exploração sexual infantil.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim