14/05/2026
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Produção reduzida preocupa agricultores e pode impactar preços do milho e amendoim no São João em Feira

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais afirma que falta de chuva prejudica plantio em distritos da zona rural e acende alerta para perdas na safra

Por Victória Silva
quinta-feira, 14 de maio de 2026 às 11:34
mostra as mãos de uma pessoa abrindo cuidadosamente a palha de uma espiga de milho ainda no pé.
Foto: Sara Silva | Seagri

A proximidade do São João, período marcado pelo consumo de milho, amendoim e outros produtos típicos, já gera preocupação entre agricultores da zona rural de Feira de Santana. Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Adriana Lima, a produção local segue limitada e a estiagem em algumas comunidades pode afetar ainda mais a oferta de alimentos juninos no município.

De acordo com Adriana, os feirenses até devem encontrar os produtos tradicionais nas festas juninas, mas boa parte deverá vir de outras cidades. Ela explicou que a produção rural de Feira já é reduzida e enfrenta dificuldades agravadas pela falta de chuvas regulares.

Foto: JP Miranda

“O feirense vai sim consumir, mas através de outros municípios, porque no município de Feira a produção é bem pequena. Além disso, estamos vivendo o período do inverno e a chuva ainda não chegou de forma intensa no meio rural. Tem localidades que sequer conseguem arar a terra por ausência de chuva”, afirmou.

A sindicalista destacou que o atraso no período chuvoso já impede o plantio em algumas comunidades.

“Se o campo não planta, a cidade não janta. A dificuldade na produção já traz preocupação para quem está no meio rural. Isso já significa que também pode trazer uma série de consequências para quem vive da produção”, alertou.

Foto: Washington Nery

Mesmo após o repasse de sementes por parte da gestão municipal, Adriana afirmou que muitos agricultores ainda não conseguiram iniciar o plantio devido às condições climáticas. Segundo ela, há regiões onde a chuva ainda não chegou de forma suficiente nem para permitir o preparo do solo.

Entre as localidades mais afetadas, a presidente do sindicato citou comunidades do distrito de Jaguara.

“No distrito de Jaguara tem comunidade que isso ainda não aconteceu. A chuva chegou em ritmo de garoa, e garoa não molha a terra como deveria. A gente espera uma chuva de inverno com sequência, mas isso não tem chegado”, explicou.

Ela também mencionou dificuldades em Bonfim de Feira e Ipuaçu, onde muitos agricultores seguem apostando no plantio “pela fé”, diante da irregularidade das chuvas.

Por outro lado, Adriana destacou que o distrito de Maria Quitéria, por estar mais próximo da região do Recôncavo Baiano, apresenta melhores condições para o desenvolvimento das lavouras.

A redução da produção local também pode impactar diretamente os preços dos produtos típicos das festas juninas. Segundo Adriana, a menor oferta tende a encarecer itens tradicionais, dificultando o acesso da população.

“Um dos impactos que acreditamos que vai ter é o produto alto demais. Isso dificulta as pessoas terem acesso, principalmente pela condição financeira. Quando a agricultura do próprio município sofre perdas de safra, isso traz uma série de consequências para toda a economia”, pontuou.

Além das dificuldades enfrentadas pela seca, Adriana chamou atenção para a sensação de insegurança na zona rural. Segundo ela, moradores têm relatado medo diante das mudanças provocadas pelo avanço da urbanização e do aumento de situações de constrangimento e violência.

“Hoje a gente vive momentos de constrangimento. Muitas vezes, a zona rural ainda é vista como um lugar de paz, mas as pessoas vivem com medo diante dos dias atuais que estamos enfrentando”, concluiu.

*Com informações do repórter JP Miranda

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