10/06/2026
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Deyvid Bacelar diz que a exploração das terras raras precisa beneficiar o povo brasileiro, e não as empresas estrangeiras

Debate no Sindiquímica-BA defende industrialização dos minerais estratégicos e alerta para riscos da exportação de matérias-primas sem beneficiamento no Brasil.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
segunda-feira, 11 de maio de 2026 às 19:11
O dirigente sindical Deyvid Bacelar fala ao microfone durante um evento. Ele é um homem de pele parda, usa óculos de grau, barba aparada e veste uma camiseta branca com um detalhe azul circular. Ele está sentado à frente de uma plateia, cujas cabeças aparecem em primeiro plano.
Foto: Divulgação

Vocês já ouviram falar em Neodímio, Praseodímio, Disprósio, Térbio, Lantânio e Cério? Para quem imagina que esses nomes estão relacionados com remédios genéricos para dor de cabeça, saibam que o buraco é mais embaixo.

“Esses são os nomes de batismo de alguns do 17 elementos que compõem as chamadas Terras Raras, utilizados em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, discos rígidos, ressonância magnética ou até mesmo mísseis guiados”, explica Deyvid Bacelar, sindicalista licenciado e pré-candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT) que debateu o tema nesta segunda-feira (11/5) no Sindiquímica-BA, por inciativa da Confederação Nacional do Ramo Químico (CNQ).

Além dos elementos das Terras Raras, nomes como Nióbio, Lítio, Níquel, Grafite, Cobre, Cobalto, Fosfato e Urânio foram também trazidos à cena porque representam os chamados “Minerais Críticos”, utilizados na composição de baterias, semicondutores, sem os quais não existiriam carros nem celulares.

Segundo Bacelar, existe uma enorme diferença entre o Brasil ser apenas exportador desses minerais ou o Brasil aprender a refiná-los aqui.

“É equivocado exportar terra rara bruta a dois dólares o quilo, quando poderíamos exportar o imã a 80 dólares o quilo”, resume Bacelar. Para ele, o debate é de fundamental importância nesse momento em que estamos falando em terras raras e em minerais críticos.

“Precisamos juntos, nós do movimento sindical, juntamente com representantes dos movimentos sociais, do campo e da cidade, operários e camponeses, precisamos pautar o nosso governo sobre o que nós pensamos sobre esse assunto”, destacou. “Se dependermos do atual Congresso Nacional, que é inimigo do povo, a legislação servirá apenas para beneficiar os grandes empresários, principalmente os de capital financeiro internacional”.

Os participantes do evento vieram de vários estados do Brasil e defendem uma regulação que consiga, de fato, impedir o extrativismo predatório, modelo predominante aqui desde o ciclo do ouro. De acordo com o documento divulgado pelo Sindiquímica-BA, o modelo mineral brasileiro permanece marcado por profundas contradições: forte inserção como exportador de bens primários, concentração de renda e riqueza, impactos socioambientais nos territórios e precarização das condições de trabalho.

“A expansão da mineração tem sido acompanhada por conflitos territoriais, degradação ambiental e riscos crescentes à saúde e segurança de trabalhadores e comunidades”, diz o documento.

Ao longo de dois dias, os participantes vão articular um documento que será distribuído em nível nacional definindo as bases do modelo de política mineral brasileiro, com foco na construção de salvaguardas socioambientais e trabalhistas, além do fortalecimento da negociação coletiva.

“Ao defender a soberania nacional, seja explorando petróleo na Margem Equatorial, seja definindo a importância dos minerais críticos na transição energética global, precisamos pressionar o governo Lula à esquerda, transformando esses desafios estratégicos, ligados ao aproveitamento das riquezas minerais, em uma base social que possa melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro”

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